Um novo avistamento de tubarão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, chamou a atenção na última terça-feira (20). Um homem que pilotava uma motoaquática registrou o momento em que passou perto do animal no Posto 1 da praia, confirmando o segundo registro em apenas três dias na mesma região. O fato foi confirmado pelo biólogo Marcelo Szpilman, presidente do AquaRio, que identificou o tubarão como um mako — espécie conhecida por sua velocidade, mas que não representa perigo aos banhistas.
No vídeo divulgado, o tubarão nada tranquilamente, sem sinais de comportamento agressivo, fato que reforça o alerta de especialistas para que a população mantenha a calma e entenda que a presença desses animais na costa é natural. “Rapaziada, tubarão na Barra da Tijuca, Quebra-Mar. Eu piloto local aqui há mais de 4 anos e nunca tinha visto, primeira vez. Todo mundo está abismado!”, relatou o autor do flagrante.
Szpilman explica que, diferentemente das praias da Zona Sul do Rio, a Barra da Tijuca fica mais afastada da Baía de Guanabara e tem um mar mais aberto, condições que tornam as aparições de tubarões mais frequentes na região. “Esses tubarões são residentes da região e não representam risco para os banhistas”, afirma o especialista.
O biólogo destaca ainda que a maior visibilidade dos animais nesta época do ano se deve à coloração mais clara da água, o que facilita a observação. O tubarão visto na Barra é, muito provavelmente, um tubarão-martelo, identificado pela barbatana dorsal mais alongada. Essa espécie é migratória e costuma se alimentar próximo à arrebentação, evitando contato com seres humanos.
A aproximação dos tubarões da costa, segundo Szpilman, tem uma explicação simples: a busca por alimento. “A provável aparição na Barra foi motivada pela presença de um cardume, que atrai esses predadores naturais”, explica. A presença desses tubarões, para o presidente do AquaRio, é um “bom sinal” que indica o equilíbrio e a saúde do ecossistema marinho local.
Apesar do aumento na visibilidade e na circulação de vídeos sobre tubarões, Szpilman ressalta que a presença desses animais na região não é novidade nem motivo para alarme. “Eles sempre estiveram por ali. A diferença é que hoje há mais registros e vídeos circulando”, pontua.
Para garantir a segurança, o Corpo de Bombeiros mantém o monitoramento da região e utiliza bandeiras roxas para alertar quando tubarões são avistados. Entre as recomendações para quem frequenta as praias estão evitar nadar isoladamente, evitar objetos brilhantes que possam atrair os animais e não entrar na água durante o amanhecer ou entardecer — períodos em que tubarões estão mais ativos.
Outras espécies que também frequentam a costa fluminense incluem os tubarões galha-preta, galhudo e tubarão-tigre. Szpilman reforça que o medo desses animais é desproporcional e destaca a importância deles no equilíbrio ambiental.
Por fim, o especialista reforça que, fora da área de até 10 km da costa, o risco de ataques é praticamente inexistente, tranquilizando banhistas e surfistas que convivem com esses visitantes naturais do mar.





