O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou um vídeo gerado por inteligência artificial em sua rede Truth Social, no qual aparece usando uma coroa e pilotando um jato com o nome “King Trump” — “Rei Trump”, em tradução livre.
O material mostra a aeronave despejando um líquido marrom sobre manifestantes, no mesmo dia em que milhares de pessoas saíram às ruas em protestos nacionais contra seu governo.
Atos realizados em 50 estados
A publicação surge em meio à onda de manifestações conhecidas como “Dia Sem Reis” (“No Kings Day”), realizadas em todos os 50 estados americanos. Os participantes exibiam cartazes com frases como “Eu juro fidelidade a nenhum rei” e criticavam o que consideram tendências autoritárias do presidente republicano.
O vídeo, com trilha sonora da música “Danger Zone”, de Kenny Loggins, viralizou rapidamente e provocou novas discussões sobre o uso de imagens manipuladas por IA em comunicações políticas oficiais.
Casa Branca reage com ironia
Poucas horas depois da publicação, a Casa Branca compartilhou outra imagem gerada por IA mostrando Trump e o vice-presidente, JD Vance, com coroas douradas e a legenda “Tenham uma boa noite a todos”, acompanhada do emoji de uma coroa. A resposta foi interpretada como ironia diante do teor do vídeo presidencial.
Questionada sobre os protestos, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, limitou-se a responder por e-mail: “Quem se importa?”. Em entrevista à Fox News, que irá ao ar neste domingo (20), Trump afirmou que não se considera um monarca. “Eles estão se referindo a mim como um rei. Eu não sou um rei”, disse.
Críticas e histórico de uso de IA
A postagem intensificou o debate sobre o uso de conteúdos sintéticos por líderes políticos. Trump tem compartilhado regularmente memes e vídeos manipulados. No mês passado, publicou uma montagem do deputado democrata Hakeem Jeffries, líder da minoria na Câmara, retratado com um bigode falso e um sombrero, ao som de música mariachi — o que Jeffries classificou como racista.
O episódio mais recente ocorre em um contexto de crescente polarização nos Estados Unidos. Os protestos do “No Kings” sucedem uma série de atos realizados em junho, que reuniram cerca de cinco milhões de pessoas em duas mil manifestações em todo o país. Organizados por grupos progressistas como Indivisible, 50501 e MoveOn, os atos cobram transparência, respeito à democracia e limites ao poder presidencial.
Líderes republicanos, por outro lado, condenaram as manifestações, chamando-as de “demonstração de ódio à América” e culpando os organizadores por prolongar o impasse orçamentário que mantém o governo parcialmente paralisado.






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