Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado (18) em todos os 50 estados dos Estados Unidos para protestar contra as políticas do presidente Donald Trump. Os atos, chamados de “No Kings” — ou “Dia Sem Reis” —, ocorreram também em cidades da Europa e da América do Norte, como Londres, Madri, Barcelona e Toronto.
Protestos se espalham pelo país
O movimento “No Kings”, que reúne cerca de 300 organizações civis e grupos progressistas, acusa o governo de autoritarismo, perseguição a opositores e ataques à imprensa. Multidões lotaram a Times Square, em Nova York, o Boston Common, o Grant Park, em Chicago, e o centro de Washington, onde os gritos de “É assim que a democracia se parece!” ecoaram perto do National Mall.
Em Los Angeles, os organizadores disseram esperar até 100 mil pessoas e chegaram a planejar o lançamento de um balão gigante de Trump usando fraldas. Os protestos desta edição superaram em número os realizados em junho, refletindo o crescimento da rejeição ao presidente.
“Não temos reis”, dizem manifestantes
No site oficial do movimento, os organizadores afirmam que “o presidente acha que seu governo é absoluto”. E completam: “Nos Estados Unidos não temos reis e não vamos recuar diante do caos, da corrupção e da crueldade”.
Entre os manifestantes, cartazes coloridos exibiam frases como “Queens Say No Kings” e “Protestamos porque amamos os Estados Unidos e queremos eles de volta”. Em Washington, grupos entoavam cânticos pedindo respeito à democracia e ao Estado de Direito.
Reação da Casa Branca
A resposta de Donald Trump foi discreta e irônica. “Eles estão dizendo que se referem a mim como um rei. Eu não sou um rei”, disse o presidente ao programa Sunday Morning Futures, da Fox News.
Aliados republicanos, por outro lado, atacaram os manifestantes. O presidente da Câmara, Mike Johnson, chamou os protestos de “ódio à América” e sugeriu, sem provas, ligação com grupos extremistas. Já o senador Roger Marshall afirmou que “agitadores profissionais” poderiam transformar os atos em tumultos e defendeu o uso da Guarda Nacional.
Protesto também é resposta à parada militar
O “Dia Sem Reis” nasceu como reação à parada militar organizada por Trump em Washington, orçada em mais de US$ 100 milhões, e financiada com recursos públicos. Segundo os organizadores, o evento representou desperdício de dinheiro enquanto o governo cortava verbas para Previdência, saúde e educação.
A paralisação parcial do governo federal, que já dura três semanas e levou à demissão de milhares de servidores, também alimentou a indignação popular.
Democracia em pauta
“Somos um país de leis que se aplicam a todos, de devido processo legal e de democracia. Não seremos silenciados”, declarou Deirdre Schifeling, diretora da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). Já Leah Greenberg, cofundadora do movimento Indivisible Project, classificou a estratégia do governo como “o clássico manual autoritário: ameaçar, difamar e mentir”.
O senador democrata Chuck Schumer usou as redes sociais para encorajar os manifestantes. “Não deixem que Trump e os republicanos os intimidem a ficarem em silêncio. Falem, usem sua voz e exerçam seu direito à liberdade de expressão”, escreveu no X.
“Queremos um futuro justo e democrático”
Em cidades como Atlanta, Houston, Nova Orleans e Minneapolis, as faixas pediam mais investimento em educação e programas sociais. “As pessoas estão com fome. Precisamos desse dinheiro em outros lugares”, disse a assistente social Renee Hall-George à CNN.
Em Houston, um cartaz com a frase “Nenhum filho de Deus é ilegal” criticava a política migratória da Casa Branca. Já em Los Angeles, epicentro dos protestos, centenas foram presas em confrontos recentes entre manifestantes e forças de segurança.
Apesar da tensão, os organizadores garantem que os atos permaneceram pacíficos. Em comunicado divulgado em Minneapolis, resumiram o tom do movimento: “Diante desse horror, reafirmamos nossa determinação por um futuro pacífico, justo e democrático”.






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