Tropas da Guarda Nacional foram mobilizadas neste domingo, 8, para intervir em manifestações contra as políticas migratórias do governo Donald Trump, e protagonizaram confrontos horas após desembarcarem em Los Angeles. A informação foi publicada pelo Estadão.
A decisão de enviar cerca de 2 mil soldados federais à cidade californiana foi tomada unilateralmente por Trump, sem o aval do governador Gavin Newsom, que classificou a medida como uma “reação completamente exagerada” e uma tentativa de “criar um espetáculo de força”. A movimentação representa uma das mais significativas tensões federativas desde os protestos nacionais de 2020.
Segundo testemunhas e vídeos divulgados, os confrontos tiveram início nas imediações do Centro de Detenção Metropolitana, no centro de Los Angeles. Centenas de manifestantes se reuniram no local para protestar contra a atuação de agentes federais de imigração, e foram dispersados com gás lacrimogêneo lançado por forças de segurança – ainda não identificadas formalmente quanto à agência responsável pela ação. As tropas estavam posicionadas em formação tática, empunhando escudos de acrílico.
A chegada dos militares ocorre após dois dias consecutivos de protestos intensificados em bairros de maioria latina, como Paramount e Compton. No sábado, 7, manifestantes tentaram bloquear veículos da Patrulha de Fronteira, atirando pedras e destroços. Em resposta, agentes usaram bombas de efeito moral e projéteis de pimenta.
Além da repressão física, o governo Trump também lançou ameaças legais. Durante coletiva antes de embarcar no Air Force One, em Nova Jersey, o presidente declarou: “Vamos ter tropas em todo o lado. Não vamos deixar que isto aconteça ao nosso país”. Ele também advertiu que funcionários estaduais que tentarem obstruir deportações poderão ser processados. “Se ficarem no caminho da lei e da ordem, sim, eles serão processados”, afirmou.
A ativação das tropas sem consentimento estadual é um recurso raro e controverso na história recente dos EUA. Segundo o Centro Brennan para a Justiça, a última vez em que isso ocorreu foi em 1965, quando Lyndon B. Johnson mobilizou tropas para proteger uma marcha pelos direitos civis no Alabama.
Os protestos recentes, embora intensos, ainda não alcançaram a dimensão de episódios históricos como os motins de Watts (1965), Rodney King (1992) ou os protestos de 2020 contra a brutalidade policial, que também envolveram a atuação da Guarda Nacional, mas com solicitação dos governos locais.
A escalada em Los Angeles evidencia a radicalização do discurso de Donald Trump no cenário eleitoral, com o ex-presidente investindo em medidas de força para reforçar sua agenda migratória e confrontar opositores políticos estaduais.





