Fuzileiros navais são enviados a Los Angeles por Trump e ampliam tensão em meio a protestos

Militares se juntam à Guarda Nacional sem aval de autoridades locais

Mais de 700 fuzileiros navais foram mobilizados para atuar em Los Angeles, em meio aos protestos contra operações de imigração conduzidas pelo governo federal. A informação foi publicada nesta segunda-feira (9) pela CNN Brasil, com base em fontes próximas à operação.

Os militares, vinculados ao Centro de Combate Aéreo Terrestre do Corpo de Fuzileiros Navais da Califórnia, devem se somar às tropas da Guarda Nacional já destacadas no fim de semana pelo presidente Donald Trump, sem a anuência do governador da Califórnia ou da prefeita da cidade.

O envio dos fuzileiros marca uma escalada significativa no uso das Forças Armadas para lidar com manifestações populares, alimentando críticas sobre o possível uso político dos militares em contextos civis. Ainda não está claro qual será o papel exato dos fuzileiros em Los Angeles, mas sua presença representa um aumento considerável na resposta federal aos protestos, que se intensificaram nas últimas semanas.

As autoridades afirmam que, assim como os membros da Guarda Nacional, os fuzileiros navais não têm permissão para executar ações de policiamento, como detenções de manifestantes, a menos que Trump invoque formalmente a Lei da Insurreição — dispositivo legal que permite o uso das Forças Armadas em solo nacional para suprimir desordens internas ou rebeliões contra o governo federal.

Segundo o Comando Norte dos Estados Unidos, até o domingo (8), cerca de 500 fuzileiros já estavam prontos para agir, mas uma fonte atualizou a informação nesta segunda, afirmando que todo o batalhão havia sido mobilizado. A expectativa é que os militares reforcem os esforços da Guarda Nacional, especialmente em atividades como controle de multidões e segurança perimetral, caso recebam essa atribuição.

Ainda de acordo com oficiais americanos ouvidos pela CNN Brasil, essa é uma das maiores mobilizações de fuzileiros para ações internas desde os distúrbios raciais de 1992 em Los Angeles. Embora alguns militares tenham atuado recentemente na segurança da fronteira sul, o envio para conter manifestações em centros urbanos reacende o debate sobre os limites do papel das Forças Armadas em operações civis.

Advogados do Departamento de Defesa ainda estão finalizando as diretrizes que vão orientar o uso da força pelos militares mobilizados. De acordo com uma fonte próxima ao processo, as normas deverão seguir os padrões já estabelecidos para operações militares, o que inclui regras rigorosas sobre o emprego de força letal.

A mobilização ocorre em um momento de forte tensão política nos Estados Unidos. Durante o fim de semana, o presidente Trump chegou a sugerir publicamente que o governador da Califórnia fosse preso, acirrando ainda mais o embate entre a Casa Branca e as autoridades estaduais. Enquanto isso, manifestantes continuam ocupando ruas em diversas cidades do estado, exigindo o fim das operações migratórias consideradas abusivas e pedindo maior proteção aos direitos civis.

A atuação dos fuzileiros será monitorada de perto por observadores nacionais e internacionais, diante do receio de que o uso de tropas federais agrave o cenário de instabilidade em vez de conter os protestos.

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