O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou qualquer menção a Jair Bolsonaro durante a conversa que manteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta segunda-feira (6), segundo informações de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O diálogo, que durou cerca de 30 minutos, tratou de temas espinhosos nas relações entre os dois países — como o tarifaço de 50% imposto pelos norte-americanos, as sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a guerra entre Rússia e Ucrânia.
O nome do ex-presidente brasileiro não surgiu em momento algum da conversa, o que foi recebido com alívio e comemoração por ministros do governo Lula que acompanhavam a videoconferência no Palácio da Alvorada. Para um dos auxiliares do presidente, o gesto de Trump demonstra que Bolsonaro perdeu relevância na agenda de Washington e deixou de ser uma figura de influência na política externa dos Estados Unidos.
Fim do “fantasma” de Bolsonaro nas relações bilaterais
O distanciamento em relação a Bolsonaro é simbólico. Em julho, Trump havia mencionado o ex-presidente em uma carta enviada a Lula, na qual justificava as retaliações ao Brasil alegando que o aliado brasileiro era alvo de “perseguição judicial”. Após o documento, autoridades norte-americanas endureceram o tom: o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane, foram incluídos na lista de sanções da Lei Magnitsky, e outros magistrados e integrantes do governo tiveram vistos suspensos.
Reaproximação ganhou força na Assembleia-Geral da ONU
Desde então, diplomatas, empresários e parlamentares brasileiros vêm tentando reverter as medidas e reduzir a tensão entre Brasília e Washington. A reaproximação ganhou força em setembro, quando Lula e Trump se encontraram brevemente na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, o republicano disse ter uma “química excelente” com o petista e sinalizou a disposição de normalizar as relações bilaterais.
O telefonema desta segunda-feira consolidou esse movimento. Segundo interlocutores do Planalto, além de discutir tarifas e política internacional, os dois líderes trocaram elogios pessoais e sinalizaram novos encontros, reforçando um clima de distensão diplomática — agora sem o peso de Jair Bolsonaro no diálogo entre Brasil e Estados Unidos.






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