Trump confirma conversa com Maduro em meio a escalada das tensões com a Venezuela

Presidente dos EUA evitou detalhar conteúdo da ligação, revelada pelo NYT; telefonema ocorre enquanto Washington amplia pressão militar e mantém “todas as opções” na mesa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (30) que conversou por telefone com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas não forneceu detalhes sobre o conteúdo da ligação. A informação havia sido antecipada pelo The New York Times e foi reconhecida por Trump a repórteres no retorno a Washington, a bordo do Air Force One.

“Não quero comentar sobre isso. A resposta é sim”, disse o mandatário, afirmando apenas que a chamada “não foi boa nem ruim”. Fontes ouvidas pelo NYT afirmam que o diálogo ocorreu no fim de semana anterior e que houve discussão sobre uma possível reunião nos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou da ligação, segundo o jornal.

Escalada militar e pressão sobre Caracas

A confirmação do contato ocorre em um momento de aumento das tensões entre os dois países. No sábado (29), Trump defendeu que o espaço aéreo venezuelano fosse considerado “totalmente fechado”, sem dar detalhes, o que gerou preocupação em Caracas. Questionado se o comentário indicava ataques iminentes, respondeu: “Não tire conclusões sobre isso”.

Os EUA têm ampliado sua presença militar no Caribe desde agosto, com navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford — maior do mundo — próximo à costa venezuelana. Washington afirma que as operações são voltadas ao combate ao narcotráfico. Nos bastidores, autoridades americanas dizem, sob anonimato, que o esforço também mira pressionar Maduro, sem indicar, por ora, plano de captura ou eliminação do presidente venezuelano.

A Reuters informou que o governo Trump avalia opções relacionadas à crise venezuelana, incluindo ações para derrubar Maduro. O país já realizou ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região, que resultaram em dezenas de mortes.

Reação de Caracas e acusações cruzadas

Em comunicado, o chanceler venezuelano, Yván Gil, classificou como “ilegal” e “injustificada” a declaração de Trump sobre o espaço aéreo e acusou os EUA de ingerência e agressão. Gil afirmou que Caracas não aceitará ordens ou ameaças de potências estrangeiras e disse que a fala do presidente americano representa uma tentativa de aplicar “jurisdição ilegítima” sobre o país.

A ligação entre os dois líderes ocorreu dias antes da decisão do Departamento de Estado de classificar o Cartel de los Soles — que Washington diz ser liderado por Maduro — como organização terrorista estrangeira. O governo venezuelano nega envolvimento com o tráfico de drogas e afirma que os EUA buscam promover uma mudança de regime.

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