O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o cantor Oruam e o seu amigo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieirapor tentativa de homicídio contra policiais civis durante uma ação no Complexo da Penha. Conforme a denúncia, após a apreensão de um adolescente suspeito, conhecido como Menor Piu, os denunciados, juntamente com outros indivíduos não identificados, passaram a lançar pedras contra os agentes da polícia a partir da varanda da casa de Oruam, localizada a cerca de 4,5 metros de altura.
Um dos policiais foi atingido nas costas, enquanto outro precisou se proteger atrás da viatura para evitar ferimentos. O MP argumenta que os acusados agiram com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de matar os agentes, e destaca que as pedras tinham peso de até 4,85 kg, capazes de causar ferimentos graves e até fatais.
Pedido de prisão preventiva e agravantes da denúncia
A denúncia foi acompanhada de pedido de prisão preventiva dos envolvidos, com base no risco que representam à ordem pública, à instrução do processo e à aplicação da lei penal. Além da tentativa de homicídio, Oruam responde a outros sete crimes, entre eles tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal.
O Ministério Público também apontou que, além dos ataques físicos, o cantor publicou nas redes sociais mensagens incitando a violência contra a polícia, chegando a desafiar publicamente a presença dos agentes no Complexo da Penha. Segundo a Promotoria, esses atos configuram motivo torpe e meio cruel, enquadrando o crime na Lei dos Crimes Hediondos.
Defesa alega legítima defesa e denuncia abuso policial
A defesa de Oruam contestou as acusações, afirmando que é “perplexa” diante da abertura do inquérito por tentativa de homicídio, especialmente porque o laudo pericial indicou que a lesão sofrida pelo policial não causou risco de vida.
Em nota, a assessoria do cantor declarou que “em momento de extremo desespero e legítima defesa, Oruam jogou pedras nos mais de 20 carros descaracterizados que estavam em sua porta, após ser ameaçado de morte com armas de fogo, socos, chutes e ter sua casa revirada, sem oferecer resistência e sem qualquer justificativa legal.”
Ainda segundo a defesa, a ação policial que resultou na prisão do cantor foi marcada por “violações de direitos”, incluindo ausência de mandado judicial válido, uso de veículos descaracterizados e operações realizadas fora do horário permitido. A defesa afirma que esses fatos configuram abuso de autoridade e “uma afronta ao Estado Democrático de Direito, criando uma narrativa distorcida e ilegal para criminalizar um artista que é, na verdade, um legítimo cidadão.”
Oruam se entregou às autoridades no dia 22, após ficar horas foragido.






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