Julgamento de Oruam é adiado no TJ-RJ; rapper segue foragido

Réu por tentativa de homicídio contra policiais civis no Joá, artista teve audiência remarcada para 30 de março após ausência de vítima

O julgamento do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, que ocorreria nesta segunda-feira (23) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi adiado para o dia 30 de março. A sessão foi remarcada após a ausência de uma das vítimas, o delegado Moysés Santana Gomes.

A audiência, que estava prevista para começar às 16h45 na 3ª Vara Criminal, marcaria o início da fase de instrução do processo no Tribunal do Júri. Oruam é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho de 2025, no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio.

Atualmente, o artista é considerado foragido da Justiça após ter a prisão preventiva restabelecida por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O que diz a denúncia contra Oruam

Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Oruam e outros três acusados teriam arremessado pedras contra dois policiais civis que cumpriam mandado de busca e apreensão contra um adolescente suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas.

De acordo com a denúncia, o adolescente, conhecido como “Menor Piu”, foi localizado na casa do rapper. Após a abordagem e condução do jovem até a viatura, os acusados teriam iniciado os ataques.

O MP afirma que as pedras foram lançadas de uma sacada a cerca de 4,5 metros de altura, assumindo o risco de matar os agentes — tese jurídica conhecida como dolo eventual. A promotoria sustenta que a conduta configura tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e por ter sido praticada contra agentes de segurança pública em serviço.

Além das tentativas de homicídio, os réus também respondem por resistência qualificada, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público, devido aos prejuízos causados a uma viatura da Polícia Civil.

Pedra de quase 5 quilos

Um dos principais pontos da acusação é o laudo pericial que identificou uma das pedras com peso de 4,85 quilos. O objeto foi encontrado na calçada em frente à residência do artista e apresentava marcas de impacto recente.

Segundo o Ministério Público, lançada da altura indicada, a pedra teria potencial para causar lesões fatais, tese reforçada por cálculos físicos apresentados na denúncia. Ao todo, sete pedras foram recolhidas no local.

Um dos policiais foi atingido nas costas e no calcanhar. O outro conseguiu se proteger atrás da viatura.

Quem são os outros acusados

Além de Oruam, também respondem ao processo:

  • Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira;
  • Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais;
  • Victor Hugo Vieira dos Santos.

Inicialmente, a denúncia tratava das tentativas de homicídio apenas contra Oruam e Willyam. Posteriormente, o Ministério Público apresentou aditamento incluindo os demais acusados e acrescentando outros crimes conexos.

Há ainda um processo separado que investiga suposta associação para o tráfico de drogas.

Relembre o caso

O episódio ocorreu na madrugada de 22 de julho de 2025. Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a residência de Oruam para cumprir mandado judicial.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o rapper esmurrando uma viatura da Polícia Civil. Segundo o MP, ele também teria incitado a ação contra os agentes.

Oruam chegou a ficar preso preventivamente por cerca de dois meses, mas obteve habeas corpus no STJ, com substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Em fevereiro deste ano, a Corte revogou a decisão após apontar descumprimentos reiterados das condições impostas, como falhas e interrupções no monitoramento eletrônico. Apesar de alegar problemas técnicos no equipamento, o artista não se apresentou às autoridades e passou a ser considerado foragido.

O que dizem as defesas

A defesa de Oruam informou que não vai se pronunciar neste momento.

Já a advogada Elker Cristina Jorge de Oliveira, que representa Victor Hugo Vieira dos Santos, afirmou que recebe com serenidade o andamento do processo e confia no devido processo legal.

Segundo ela, não há prova técnica individualizada que atribua ao cliente conduta com potencial letal concreto, nem demonstração segura de dolo de matar. A defesa sustenta que a denúncia se baseia em interpretações hipotéticas e destaca a necessidade de individualização da conduta, além da presunção de inocência.

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