Americanos dividem carona e vendem até plasma sanguíneo para bancar gasolina mais cara

Preços pressionados por tensão com o Irã e fechamento do Estreito de Hormuz levam motoristas a abastecer menos e buscar alternativas nos EUA

Motoristas nos Estados Unidos começaram a reduzir os gastos com combustível diante da alta nos preços da gasolina, impulsionada pela crise envolvendo o Irã. O movimento já reflete mudanças no comportamento dos consumidores, que passam a abastecer menos, evitar deslocamentos e adotar alternativas para economizar.

Dados da empresa Upside mostram que, entre fevereiro e março, as vendas médias de gasolina por posto no nordeste do país caíram 4,3% em março, revertendo o crescimento de 0,6% registrado no mesmo período do ano anterior. A análise considera mais de 23 mil postos de combustíveis em todo o território americano.

Mudança de comportamento

Com o aumento dos preços, muitos motoristas têm ajustado sua rotina. Entre as estratégias estão dividir caronas, reduzir o uso do carro e limitar o volume abastecido a cada parada.

Segundo o economista-chefe de pesquisa da Upside, Tom Weinandy, o cenário reflete uma tentativa de adaptação à nova realidade. “Os consumidores estão tentando encontrar maneiras de economizar. No fim das contas, eles ainda precisam ir ao trabalho e levar os filhos à escola — são atalhos.”

Impacto da crise internacional

A pressão sobre os preços da gasolina está ligada à escalada de tensões no Oriente Médio. Desde o risco de fechamento do Estreito de Hormuz, os valores do combustível subiram cerca de 28%, segundo a associação de motoristas AAA. Atualmente, a média nacional está em torno de US$ 4 por galão.

Analistas avaliam que a queda nas vendas pode indicar um processo inicial de redução da demanda, provocado pelo aumento dos custos.

Diferenças regionais

A retração no consumo é mais evidente em regiões com maior oferta de transporte público. No nordeste dos EUA, que inclui cidades como Nova York, Boston e Filadélfia, a redução é mais acentuada, já que há alternativas ao uso do carro.

Kevin Book, da ClearView Energy, destaca que esse comportamento tende a ser mais comum em áreas urbanas densas. “É mais provável que isso aconteça em áreas urbanas densas com opções de transporte público.”

Ainda assim, o fenômeno também aparece em regiões mais dependentes de veículos. Na área das Montanhas Rochosas, por exemplo, houve queda de 0,3% nas vendas, enquanto estados do centro-sul registraram desaceleração no crescimento.

Pressão no orçamento das famílias

Mesmo com ajustes no consumo, muitos americanos continuam dependentes do carro para atividades essenciais. Para lidar com o aumento dos custos, parte da população tem recorrido a alternativas como combustíveis mais baratos, abastecimentos menores e até novas fontes de renda.

A assistente social Samantha Lott, do Texas, relatou que passou a reduzir compromissos pessoais, fazer entregas e até vender plasma para complementar o orçamento. “Coloco de US$ 10 a US$ 15 no meu tanque de cada vez e torço para que dure até eu conseguir mais dinheiro”, disse.

Tecnologia e alternativas ganham espaço

A crise também impulsionou o uso de aplicativos voltados à economia de combustível e compartilhamento de viagens. Plataformas como Gasbuddy, Mudflap e Upside registraram aumento expressivo de downloads entre fevereiro e março, enquanto serviços de carona compartilhada também cresceram.

Esse movimento indica que, embora a demanda por gasolina nos Estados Unidos seja considerada relativamente estável, os consumidores estão buscando alternativas para reduzir os impactos da alta nos preços.

Especialistas avaliam que a redução no consumo ainda é moderada, mas pode se intensificar caso a crise internacional se prolongue e mantenha os preços elevados por mais tempo.

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