Justiça unifica três processos contra o rapper Oruam

Decisão da 3ª Vara Criminal da Capital integra acusações de dano e ameaça à mesma denúncia

O juízo da 3ª Vara Criminal da Capital decidiu unificar três processos envolvendo o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, e outros três acusados: Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira; Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais; e Victor Hugo Vieira dos Santos. A decisão acolheu o aditamento da denúncia do Ministério Público, que complementa a acusação original com base em novas descobertas durante as investigações.

Todos os réus passam a responder, formalmente, por tentativa de homicídio qualificado contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Rio. Anteriormente, na 27ª Vara Criminal, eles respondiam por dano ao patrimônio público e ameaça; agora, esses casos também serão julgados pelo mesmo juízo.

Detalhes da operação policial

Segundo a denúncia, a tentativa de homicídio ocorreu durante uma operação da Polícia Civil na residência de Oruam, no dia 22 de julho. O objetivo era cumprir uma ordem de busca e apreensão contra um menor suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e crimes patrimoniais. Durante a ação, o rapper e outras sete pessoas lançaram pedras contra os policiais do andar superior da casa, sendo que uma delas pesava 4,85 kg, capaz de causar morte em caso de impacto.

A juíza Tula Correa de Mello destacou que os policiais não usavam capacete, colete ou equipamentos de proteção, circunstância conhecida pelos acusados e que agravou o risco da ação.

Prisão preventiva mantida e medidas cautelares aplicadas

A magistrada negou pedidos de relaxamento de prisão para Willyam Matheus e Pablo Ricardo, manteve a prisão preventiva de Oruam e aplicou medidas cautelares a Victor Hugo. Em sua decisão, a juíza ressaltou:

“Considerando a possibilidade de fuga para área dominada por facção criminosa armada com altíssimo poder bélico, impõe-se resguardar a aplicação da lei penal e a instrução criminal, diante da postura desafiadora dos denunciados.”

Tribunal de Justiça reforça gravidade do caso

Em decisão anterior, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) manteve a prisão preventiva do rapper, que já se encontrava detido há 50 dias no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Entre os elementos apontados pelo tribunal está um vídeo em que Oruam aparece desafiando agentes de segurança a “pegá-lo” no Complexo da Penha.

A desembargadora relatora Márcia Perrini Bodart destacou que esse comportamento reforça a necessidade de manutenção da prisão.

Defesa alega perseguição e anuncia recurso ao STJ

O advogado Nilo Batista, representante do rapper, defende que Mauro Davi sofre perseguição policial por ser filho do traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho. Segundo Batista, Oruam seguiu carreira artística reconhecida nacional e internacionalmente, afastando-se da influência paterna.

O defensor também questionou a operação policial, alegando entrada inadequada na residência por volta das 23h, com agentes descaracterizados. A defesa já anunciou recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Enquanto isso, Oruam segue detido em Gericinó, aguardando os próximos desdobramentos judiciais.

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