Uma tragédia de grandes proporções atingiu o estado do Texas, nos Estados Unidos, neste fim de semana. O O Globo, o acampamento cristão Camp Mystic, na região do Texas Hill Country, confirmou nesta segunda-feira (7) a morte de 27 pessoas, entre meninas e monitores, após uma enchente devastadora atingir suas instalações às margens do rio Guadalupe.
A tragédia expôs falhas graves no sistema de alerta de inundações do condado e gerou comoção internacional. Pelo menos 82 pessoas morreram após as enchentes que atingiram o centro do Texas durante o fim de semana de 4 de julho, segundo as autoridades locais.
“O Camp Mystic lamenta profundamente a perda de 27 campistas e monitores após a inundação catastrófica. Nossos corações estão partidos”, afirmou a direção do acampamento em comunicado oficial. Fundado há quase cem anos e gerido pela mesma família desde então, o local reunia cerca de 750 pessoas durante o recesso escolar quando uma tromba d’água elevou o nível do rio em cerca de oito metros — altura superior a um prédio de dois andares — em apenas 45 minutos, durante a madrugada de sexta-feira.
As cenas no local são desoladoras: brinquedos infantis cobertos de lama, chalés com janelas estilhaçadas pela força da correnteza e pertences pessoais espalhados entre os escombros. As autoridades informaram que pelo menos 20 helicópteros seguem mobilizados nas buscas por desaparecidos, incluindo dez meninas e um monitor do acampamento.
Diretor do parque morreu tentando salvar crianças
Entre os mortos está Dick Eastland, diretor e proprietário do Camp Mystic, que, segundo relatos compartilhados por familiares nas redes sociais, tentava resgatar crianças no momento da tragédia. Também foi confirmada a morte de Renee Smajstrla, de apenas 8 anos, cujo corpo foi encontrado graças à divulgação de sua foto por parentes.
O Papa Leão XIV, primeiro pontífice norte-americano da história, manifestou solidariedade durante o Ângelus no domingo: “Quero expressar minhas sinceras condolências a todas as famílias que perderam entes queridos, em particular às suas filhas que estavam em um acampamento de verão no Texas”.
Sistema de alerta ignorado por anos
A tragédia reacendeu um antigo debate sobre a vulnerabilidade da região do Condado de Kerr, conhecida por sua propensão a enchentes súbitas. Autoridades locais já haviam discutido, há quase uma década, a instalação de um sistema moderno de alerta, com sirenes e sensores de nível do rio. No entanto, a proposta foi arquivada por ser considerada financeiramente inviável. Em 2017, o condado perdeu a chance de obter uma subvenção de US$ 1 milhão para o projeto.
Recentemente, durante uma audiência orçamentária, o juiz Rob Kelly, autoridade máxima eleita do condado, revelou a resistência da população a novos gastos. “Os contribuintes não vão pagar por isso”, disse ele, ao ser questionado sobre investimentos em sistemas de prevenção.
Quando a tromba d’água atingiu o acampamento, não havia sirenes, e os alertas enviados por mensagens de texto chegaram tarde demais ou foram ignorados por muitos. A falta de mecanismos eficazes de emergência é agora alvo de críticas de moradores e familiares das vítimas.
Resposta do governo e risco de novas tragédias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu visitar a região ainda nesta semana, embora tenha minimizado as acusações de que cortes orçamentários em agências meteorológicas tenham contribuído para o desastre. “Foi uma catástrofe de 100 anos, algo que ninguém poderia prever”, declarou, ao mesmo tempo em que assinava uma ordem liberando recursos federais para a região.
O governador do Texas, Greg Abbott, alertou para a possibilidade de novas chuvas intensas e reforçou os riscos de mais inundações. “Há escombros por toda parte, tornando as estradas intransitáveis e inviabilizando os esforços de reconstrução”, afirmou.





