As enchentes repentinas que atingiram o estado do Texas, nos Estados Unidos, já deixaram pelo menos 104 mortos, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (7) por autoridades locais. O desastre climático é um dos mais letais do último século no país e já entrou em seu quarto dia de buscas por desaparecidos.
Entre as vítimas estão 28 crianças que participavam de um acampamento cristão de verão às margens do rio Guadalupe, que transbordou de forma violenta na última sexta-feira (4). O Camp Mystic, voltado exclusivamente para meninas, ficou sem energia, água e sinal de internet. Ao menos 27 crianças e monitoras morreram no local, informou a direção do acampamento.
A cidade mais atingida foi Kerrville, no condado de Kerr, que concentra 84 das mortes confirmadas. “Esta será uma semana difícil”, lamentou o prefeito Joe Herring Jr. “A chance de encontrarmos sobreviventes diminui com o passar do tempo. Precisamos de orações.”
Até o último domingo (6), 41 pessoas ainda estavam desaparecidas. As equipes de resgate têm enfrentado dificuldades adicionais com o mau tempo e o risco de novas chuvas, além de um incidente envolvendo um helicóptero de resgate que foi forçado a fazer um pouso de emergência após colidir com um drone que violava o espaço aéreo da operação.
Emergência federal e críticas a cortes na previsão climática
Diante da gravidade da situação, o presidente Donald Trump declarou emergência federal e acionou a FEMA (Agência Federal de Gerenciamento de Emergências). Aviões e helicópteros da Guarda Costeira também participam das buscas, que envolvem drones, barcos e até cavalos em áreas rurais de difícil acesso.
Trump, que deve visitar a região na próxima sexta-feira (11), rebateu críticas sobre os cortes promovidos por sua gestão em agências climáticas. Ele negou responsabilidade pela tragédia e culpou a gestão anterior: “Aquela situação da água é algo herdado do governo Biden. Mas não culparia Biden. Diria apenas que é uma catástrofe que acontece uma vez a cada cem anos.”
O republicano reduziu verbas da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), responsável pelos alertas meteorológicos. Segundo ex-funcionários, os cortes deixaram departamentos essenciais com pessoal insuficiente. O escritório responsável por emitir os alertas para a região afetada, por exemplo, tinha uma vaga de meteorologista de emergência aberta desde abril.
Tragédia revela impacto das mudanças climáticas
Relatórios da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do IPCC, órgãos ligados à ONU, indicam que eventos climáticos extremos como o ocorrido no Texas triplicaram nos últimos 50 anos devido ao aquecimento global. O Itamaraty emitiu nota nesta segunda se solidarizando com as vítimas e alertando para a urgência de ações climáticas coordenadas.
“O governo do Brasil reafirma que as alterações climáticas intensificam eventos extremos e aumentam a frequência de desastres semelhantes, o que torna ainda mais urgente a necessidade de medidas conjuntas por parte da comunidade internacional”, diz o comunicado. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há brasileiros entre os mortos ou desaparecidos.





