Tornozeleira eletrônica: Justiça impõe novas medidas a dentista acusada de lesão (Vídeo)

Dentista acusada de lesão grave após procedimento estético usará tornozeleira eletrônica, decide Tribunal do Rio

A Justiça do Rio determinou o uso de tornozeleira eletrônica pela cirurgiã-dentista Cynthia Eckert Brito após identificar indícios de descumprimento de medidas judiciais. A profissional já havia sido proibida de realizar procedimentos estéticos e de deixar o país, mas, segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, continuava atuando e se preparava para ministrar cursos no exterior.

A decisão foi tomada no âmbito de um processo em que Cynthia responde como ré por lesão corporal grave e gravíssima contra a advogada Eloah Teixeira Carneiro Lins. O caso veio à tona após a paciente apresentar complicações severas depois de um procedimento estético realizado em 2024.

Medidas mais duras da Justiça

De acordo com o juiz Antônio Alves Cardoso Júnior, havia risco de repetição de danos a outras pessoas caso a profissional continuasse exercendo atividades ligadas à harmonização facial. Mesmo assim, o Ministério Público apontou que ela seguia divulgando serviços como aplicação de botox, preenchimentos e lifting com fios, além de organizar cursos em Portugal.

Diante disso, o juiz Luiz Henrique da Silva Carvalho determinou medidas mais rigorosas. Além da tornozeleira eletrônica, Cynthia está proibida de sair do estado do Rio, deve entregar o passaporte em até 24 horas e precisa comparecer mensalmente à Justiça para informar suas atividades. Também foi mantida a suspensão do exercício profissional na área de harmonização facial e a proibição de divulgar esses serviços, inclusive em redes sociais.

Caso as determinações sejam descumpridas, a dentista poderá ter a prisão decretada. Após a decisão, a conta da clínica nas redes sociais foi retirada do ar.

Paciente relata complicações graves

O caso que originou o processo envolve a advogada Eloah Lins, de 56 anos, que se submeteu a uma platismoplastia, procedimento estético na região do pescoço, realizada em 25 de novembro de 2024. Segundo relato, já no dia seguinte surgiram sinais como inchaço intenso, dor e escurecimento da pele.

Nos dias seguintes, o quadro evoluiu com manchas escuras no rosto, orelha e peito. Eloah afirmou que buscou atendimento com a profissional, mas não teve solução para o problema e ainda teria sido cobrada por novo atendimento. Ela também relatou falhas na execução do procedimento.

Após ser orientada por outra dentista, a advogada foi levada a um hospital, onde recebeu diagnóstico de quadro grave, com risco de vida. Ela permaneceu internada por 12 dias e precisou passar por novos procedimentos para tentar reverter os danos.

Denúncia e andamento do caso

Eloah também relatou que recebeu uma proposta de reembolso condicionada à assinatura de um acordo que a impediria de comentar o caso ou adotar medidas judiciais.

A defesa da profissional informou que não havia sido intimada da decisão e não se manifestou. A própria dentista também não respondeu aos contatos. Os Conselhos Regional e Federal de Odontologia foram procurados, mas ainda não haviam se posicionado.

O processo segue em andamento e a Justiça avalia a conduta da acusada diante das novas evidências apresentadas.

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