Dentista vira ré por morte após procedimentos estéticos no Rio

Vítima morreu três dias depois de se submeter a intervenções estéticas com a profissional, segundo o Ministério Público

Uma cirurgiã-dentista se tornou ré na Justiça do Rio de Janeiro acusada de causar a morte de uma paciente após a realização de procedimentos estéticos. Cynthia Heckert Brito foi denunciada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio doloso qualificado e exercício irregular da medicina. A vítima, Michelle Barbosa de Souza Rocha, morreu em 2024, três dias depois de se submeter a intervenções estéticas no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste.

De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, Michelle passou por procedimentos como bichectomia, lipoaspiração de papada e colocação de fios no pescoço. A apuração aponta ainda que teriam sido realizados procedimentos cirúrgicos mais complexos, como blefaroplastia e lifting facial, que não constavam no contrato firmado com a paciente.

Infecção causou morte

Segundo o laudo de necropsia, a causa da morte foi uma infecção na pele decorrente do procedimento estético, que evoluiu e se espalhou pelo corpo. O exame também identificou a formação de coágulos que migraram para os pulmões, provocando embolia e levando à morte da paciente.

O Ministério Público sustenta que os procedimentos foram feitos em local inadequado e sem a observância das normas básicas de segurança, o que teria provocado complicações graves, como choque séptico, hemorragia e necrose. Após apresentar piora no quadro clínico, Michelle foi levada por familiares a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, transferida para o Hospital Adão Pereira Nunes, onde morreu em 31 de maio.

A denúncia também aponta falhas no acompanhamento pós-operatório. Segundo a acusação, a dentista teria orientado a paciente a permanecer em casa, utilizando medicamentos e gelo, e desestimulado a procura por atendimento hospitalar. Familiares afirmam ainda que receberam informações falsas sobre o estado de saúde de Michelle.

Prisão preventiva negada

O MPRJ pediu a prisão preventiva de Cynthia e o sequestro de bens no valor de R$ 250 mil. A Justiça aceitou a denúncia, tornando-a ré, mas negou o pedido de prisão. O processo tramita na 16ª Vara Criminal da capital.

Em depoimento à polícia, ela afirmou que realizou apenas os procedimentos permitidos à odontologia estética e negou ter feito cirurgias como blefaroplastia ou lifting facial.

A dentista responde ainda a outros três processos por erros médicos. Agenda do Poder tenta contato com a defesa da dentista.

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