Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de Vorcaro no STF

Ministro afirma ter ‘motivo de foro íntimo’ para se afastar da análise do caso, que será avaliado pela Segunda Turma da Corte

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito para participar do julgamento que analisará a decisão responsável pela prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

A análise da decisão ficará a cargo da Segunda Turma do STF, colegiado composto por cinco ministros e responsável por examinar processos criminais na Corte. Como Toffoli integra esse grupo, caberia a ele participar do julgamento sobre a validade da ordem de prisão. No entanto, o magistrado decidiu se afastar do caso por razões pessoais, informa o g1.

Em despacho, o ministro afirmou que a decisão foi tomada devido à ligação entre o processo atual e outros procedimentos relacionados ao tema.

“Tendo em vista que há correlação entre as matérias objeto daquele feito, declaro a minha suspeição por motivo de foro íntimo, a partir desta fase investigativa”, escreveu Toffoli.

Pelas regras do Supremo, decisões individuais tomadas por um relator — como determinações de prisão — precisam ser posteriormente submetidas ao colegiado competente. Cabe à turma responsável avaliar se confirma ou não a medida adotada de forma monocrática.

Relação com investigação do Banco Master

Toffoli já havia atuado anteriormente como relator de investigações relacionadas ao Banco Master, antes de o processo passar para a relatoria do ministro André Mendonça. A suspeição declarada agora ocorre em meio a desdobramentos do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em apurações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal.

Além de se afastar da análise sobre a prisão do empresário, o ministro também declarou suspeição para relatar um pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A ação cobra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar possíveis irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master.

No despacho referente a esse processo, Toffoli reiterou o motivo de sua decisão e determinou que o caso seja encaminhado à presidência do STF para definição de um novo relator.

“Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo. Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à Presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes”, afirmou.

Próximos passos

Com a declaração de suspeição, Toffoli deixa de participar das deliberações sobre os processos relacionados ao caso. Caberá à presidência do Supremo definir os procedimentos para redistribuição das ações ou para a continuidade da tramitação sem a participação do ministro.

A decisão reforça a prática prevista no regimento da Corte, segundo a qual magistrados podem se declarar suspeitos por motivos pessoais — chamados de “foro íntimo” — quando consideram que há circunstâncias que possam comprometer sua atuação no julgamento.

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