As Testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança nas orientações religiosas relacionadas ao uso de sangue em tratamentos médicos. A partir de agora, os fiéis poderão decidir individualmente, de acordo com a própria consciência, se aceitam receber componentes do sangue doados por outras pessoas.
A alteração também permite que cada membro escolha se deseja doar sangue com a finalidade de que seus componentes sejam utilizados no tratamento de terceiros. A organização, porém, mantém a proibição de transfusões de sangue total.
A nova orientação envolve os quatro principais componentes do sangue: plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. A mudança representa uma revisão parcial de uma orientação que historicamente levou as Testemunhas de Jeová a rejeitar transfusões de sangue.
Decisão passa a ser individual
Segundo Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, o sangue continua sendo considerado sagrado pela religião. A organização afirma que decisões médicas relacionadas aos componentes sanguíneos passam a ser tratadas como uma questão de consciência individual.
Na prática, os fiéis deixam de seguir uma orientação uniforme sobre o recebimento dos quatro componentes principais do sangue. A escolha também passa a valer para aqueles que desejarem doar sangue especificamente para que seus componentes sejam utilizados em tratamentos médicos.
O plasma pode ser utilizado em tratamentos de traumas e determinadas doenças. Os glóbulos vermelhos são empregados, entre outras situações, em casos de anemia, enquanto as plaquetas podem ser utilizadas em tratamentos de pacientes com diferentes doenças, inclusive câncer. Os glóbulos brancos também possuem aplicações médicas específicas.
Proibição do sangue total permanece
Apesar da flexibilização, a organização continua se opondo à doação ou ao recebimento de sangue total para transfusão. A justificativa permanece relacionada à interpretação de passagens bíblicas que orientam os fiéis a se “absterem de sangue”.
A nova regra, portanto, não representa uma liberação geral das transfusões. A mudança está concentrada nos componentes separados do sangue e na possibilidade de cada Testemunha de Jeová decidir individualmente sobre recebê-los ou doá-los.
A própria organização orienta que seus membros avaliem essas decisões de acordo com a própria consciência e com suas convicções religiosas.
Segunda revisão das regras em 2026
A decisão anunciada em setembro é a segunda revisão das orientações sobre sangue feita pelas Testemunhas de Jeová em 2026. Em março, o Corpo Governante já havia alterado as regras relacionadas ao uso do próprio sangue em tratamentos médicos.
Naquela ocasião, passou a ser permitido que cada fiel decidisse individualmente sobre a coleta, o armazenamento e o uso posterior do próprio sangue durante procedimentos médicos.
A mudança abriu espaço para técnicas em que o paciente pode doar o próprio sangue antes de uma cirurgia programada e utilizá-lo posteriormente no mesmo tratamento. Nesse caso, o material permanece destinado ao próprio paciente e não envolve sangue de terceiros.
Entenda a origem da restrição
A posição histórica das Testemunhas de Jeová sobre transfusões está relacionada à interpretação de passagens do Velho e do Novo Testamento nas quais o sangue é associado à vida e considerado sagrado.
Entre os textos bíblicos citados pela organização estão passagens de Gênesis, Levítico e Atos que orientam os fiéis a não consumir sangue ou a se manterem afastados dele.
As Testemunhas de Jeová afirmam reunir cerca de nove milhões de seguidores no mundo. No Brasil, os líderes da organização informam um contingente de aproximadamente 900 mil pessoas. O grupo também é conhecido pelo trabalho de evangelização realizado de porta em porta.







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