Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta uma nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil, em uma medida que pode atingir aproximadamente 21% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano. A expectativa é de que o governo dos EUA divulgue oficialmente a decisão após a conclusão da investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
A avaliação é compartilhada por integrantes do governo federal e representantes do setor produtivo, que já consideram a aplicação da sobretaxa praticamente inevitável. Apesar disso, permanece a expectativa de que uma lista de exceções preserve produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos e para o controle da inflação no país.
Governo busca ampliar lista de produtos isentos
O relatório preliminar divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação da tarifa de 25%, mas sugeriu a exclusão de alguns segmentos, como produtos agropecuários, aeronaves, peças aeronáuticas, fertilizantes, minerais estratégicos e insumos industriais essenciais às cadeias produtivas americanas.
Mesmo diante do cenário desfavorável, o governo brasileiro segue tentando ampliar essa relação de produtos isentos da sobretaxa. A estratégia é incluir outros setores considerados relevantes para a pauta de exportações do Brasil.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo aguarda a confirmação oficial da medida antes de definir eventuais ações. Segundo ele, os setores afetados serão consultados para avaliar possíveis respostas, mantendo o diálogo como prioridade.
Negociações entre Brasil e Estados Unidos não avançaram
Nesta terça-feira, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República realizaram a quinta reunião de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O encontro faz parte do grupo de trabalho criado em maio para discutir as divergências comerciais entre os dois países. No entanto, as conversas não produziram avanços suficientes para evitar a possível aplicação das novas tarifas.
Em nota oficial, o governo brasileiro reiterou que considera injustificadas as conclusões da investigação americana e voltou a defender que a adoção de sobretaxas não contribui para a construção de um acordo comercial equilibrado entre as duas nações.
Empresas apostam em ampliação das exceções
Embora o setor empresarial considere a decisão praticamente definida, representantes da indústria e do agronegócio acreditam que ainda existe espaço para ampliar a lista de produtos excluídos da nova tarifa.
Além dos segmentos já previstos pelo relatório preliminar, entidades defendem a inclusão de itens como calçados, café solúvel e insumos utilizados pela indústria de máquinas e equipamentos.
A expectativa é que esses produtos recebam tratamento diferenciado por serem importantes para cadeias produtivas norte-americanas e por contribuírem para reduzir custos de produção e de consumo nos Estados Unidos.
Investigação comercial motivou nova sobretaxa
A medida faz parte da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O governo norte-americano questiona práticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, políticas tarifárias, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao desmatamento.
A conclusão oficial da investigação está prevista para esta quarta-feira (15), quando o governo dos Estados Unidos deverá anunciar os detalhes da decisão e confirmar quais setores serão efetivamente atingidos pela nova política tarifária.
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