CNI critica tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros e cobra negociação com governo Trump

Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que não há fato econômico que justifique tarifa

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação e surpresa com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Em nota divulgada nesta quarta-feira (9), a entidade criticou a medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, e afirmou que não há fundamento econômico que justifique a elevação da taxação.

“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Segundo a Confederação, a prioridade agora deve ser intensificar o diálogo com Washington para preservar a relação histórica e estratégica entre os dois países. Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação nacional.

A CNI alertou que o aumento da tarifa para 50% comprometerá a competitividade de cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano. A medida, de acordo com a entidade, também prejudica a própria economia dos EUA.

“Ao contrário do que afirma o governo dos Estados Unidos, o país mantém superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos. Só na última década, o saldo positivo dos EUA no comércio de bens com o Brasil foi de US$ 91,6 bilhões. Considerando também os serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as grandes economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países que mantêm superávit a favor dos EUA”, destacou a CNI.

A entidade também contestou as alegações da Casa Branca sobre práticas comerciais brasileiras. De acordo com a Confederação, em 2023 os produtos norte-americanos enfrentaram no Brasil uma tarifa média efetiva de importação de 2,7% — quatro vezes menor que a tarifa nominal de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O novo tarifaço foi oficializado por Trump por meio de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova alíquota entra em vigor a partir de 1º de agosto e será aplicada independentemente de outras tarifas setoriais já existentes, como as que incidem sobre aço e alumínio. Em abril, os EUA já haviam elevado em 10% as tarifas sobre produtos brasileiros.

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