Todos os anos, milhares de moradores transformam as ruas de São Gonçalo em uma grande galeria a céu aberto. Com sal colorido, serragem, borra de café e outros materiais, voluntários criam painéis que se tornaram parte da identidade cultural e religiosa do município. Nesta terça-feira (9), essa tradição deu mais um passo rumo ao reconhecimento oficial.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em segunda discussão, o projeto de lei que declara o Tapete de Sal de São Gonçalo patrimônio cultural imaterial do estado. A proposta agora segue para análise do governador, que poderá sancionar ou vetar a medida.
Tradição de Corpus Christi
De autoria do presidente da Assembleia, deputado Douglas Ruas (PL), o texto busca reconhecer uma manifestação ligada às celebrações de Corpus Christi que mobiliza moradores de diferentes bairros da cidade há quase três décadas.
Segundo a justificativa do projeto, a tradição é realizada há cerca de 29 anos e se consolidou como um dos principais eventos religiosos e culturais de São Gonçalo.
A cada edição, aproximadamente 6 mil voluntários participam da montagem dos tapetes, utilizando mais de 50 toneladas de sal e diversos outros materiais para produzir imagens e desenhos que ocupam as ruas do município.
Arte que ocupa as ruas
O percurso dos tapetes se estende por cerca de dois quilômetros e transforma importantes vias da cidade em espaços de expressão artística e religiosa.
Ao longo do trajeto, são confeccionados cerca de 240 tapetes distribuídos entre a Rua Coronel Moreira César, no bairro Zé Garoto, e a Rua Nilo Peçanha, nas proximidades do Clube Mauá, no Centro de São Gonçalo.
A celebração reúne moradores, grupos religiosos, visitantes e voluntários que dedicam horas de trabalho à preparação das peças que marcam a data religiosa.
Reconhecimento estadual
A proposta aprovada pelos deputados destaca o valor histórico, cultural, artístico e religioso da manifestação para o município e para o estado.
Caso a medida seja sancionada, o Tapete de Sal de São Gonçalo passará a integrar oficialmente o conjunto de bens reconhecidos como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro.
O reconhecimento busca contribuir para a preservação da tradição e ampliar a visibilidade de uma manifestação que, há quase 30 anos, faz parte do calendário cultural e religioso da cidade.






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