STF inicia audiências com presença de Bolsonaro e Braga Netto em julgamento por tentativa de golpe

Moraes ouve primeiras testemunhas em ação penal que envolve ex-presidente, ex-vice e outros aliados acusados de tramar contra a democracia após derrota eleitoral

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), começou nesta segunda-feira (19) a ouvir as primeiras testemunhas de acusação no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Relator do caso, Moraes preside a audiência, que conta também com a presença dos demais integrantes da Primeira Turma da Corte — Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino — responsáveis pelo julgamento. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, participa das oitivas, assim como os principais réus da ação penal, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu ex-vice Braga Netto, por videoconferência, segundo o g1 e O Globo.

Nesta primeira fase, as testemunhas arroladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) estão sendo ouvidas. A lista inclui cinco nomes considerados estratégicos para a sustentação da acusação:

Éder Lindsay Magalhães Balbino, empresário suspeito de produzir conteúdo com falsas alegações contra as urnas eletrônicas;

Clebson Ferreira de Paula Vieira, servidor público apontado como autor de planilhas usadas por Anderson Torres para monitorar eleitores no segundo turno;

Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da PRF, investigado por supostamente atuar para dificultar o deslocamento de eleitores;

Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército;

Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica.

A denúncia apresentada pela PGR em 26 de março envolve 34 pessoas, incluindo Bolsonaro e figuras centrais de sua gestão. Eles são acusados de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

Segundo a PGR, o plano foi articulado por militares e civis com o objetivo de impedir que o resultado das eleições presidenciais de 2022 — que decretou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva — fosse respeitado. O grupo teria se organizado em diferentes núcleos para colocar em prática a tentativa de ruptura institucional.

Entre os integrantes do chamado “núcleo crucial do golpe”, segundo o Ministério Público, estão Jair Bolsonaro e seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Também são apontados como integrantes importantes da trama:

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro em 2022.

A expectativa é que, após a conclusão dos depoimentos das testemunhas de acusação, a defesa dos réus também possa apresentar suas testemunhas. A tramitação segue com forte repercussão política e institucional, tanto no Brasil quanto no exterior, e é considerada um dos maiores julgamentos da história democrática brasileira.

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