As duas principais Cortes responsáveis por julgar temas ligados às eleições brasileiras terão, em 2026, comandos com perfis distintos. No Supremo Tribunal Federal (STF), a presidência ficará com o ministro Edson Fachin, tendo Alexandre de Moraes como vice. Ambos tiveram atuação central na reação institucional aos ataques golpistas de 2022. Já no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a condução do pleito caberá ao ministro Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência — os dois indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fachin e Moraes atuaram juntos na organização e no enfrentamento das turbulências das eleições de 2022. Fachin presidiu o TSE por alguns meses e liderou a preparação do pleito, em meio a pressões pela adoção do voto impresso e ataques às urnas eletrônicas. A partir de agosto daquele ano, Moraes assumiu o comando da Corte Eleitoral e coordenou a resposta institucional aos questionamentos do resultado e aos atos de 8 de Janeiro.
No TSE, o cenário é visto como mais incerto. Nunes Marques e Mendonça nunca ocuparam cargos de comando na Justiça Eleitoral e devem liderar uma eleição marcada por disputas acirradas e elevada judicialização. Ambos têm histórico de atuação menos intervencionista. Em 2023, por exemplo, Nunes Marques foi voto vencido nos julgamentos que tornaram Bolsonaro inelegível e defendeu que o tribunal não deve funcionar como um “terceiro turno” das eleições.
Postura discreta, perfis diferentes
Mendonça também tem sinalizado que pretende adotar postura mais discreta. Em declarações recentes, afirmou que a futura cúpula do TSE deve priorizar imparcialidade e fundamentação técnica, evitando protagonismo excessivo — posição interpretada nos bastidores como um distanciamento do estilo adotado pela Corte em 2022.
O TSE será responsável por definir regras do pleito, julgar ações contra candidatos e partidos e analisar processos de cassação, incluindo casos ligados à desinformação eleitoral e a disputas regionais relevantes.






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