O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cristiano Zanin, confirmou nesta sexta-feira (5) a realização de sessões extras no julgamento do núcleo central da trama golpista de 8 de janeiro. A decisão atende a um pedido feito por Alexandre de Moraes e amplia a agenda para a próxima semana com reuniões marcadas para quinta-feira (11), pela manhã e à tarde.
Até então, estavam previstas apenas sessões na terça-feira (9), quarta (10) e sexta (12). A inclusão de um dia extra deve acelerar a análise do processo, que envolve oito réus de peso, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes de seu governo.
Como anda o julgamento
O julgamento começou na última semana. Na terça-feira (2), Moraes apresentou o relatório do caso, seguido pela manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que reiterou o pedido de condenação dos acusados. No dia seguinte, foi a vez da defesa se pronunciar.
Os advogados questionaram a validade da delação premiada de Mauro Cid, reclamaram da falta de tempo para analisar documentos — o que consideraram um cerceamento de defesa — e negaram qualquer participação de seus clientes nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
Quem está no banco dos réus
Entre os oito réus estão Bolsonaro e nomes centrais de sua gestão: Alexandre Ramagem (ex-Abin), Almir Garnier (ex-Marinha), Anderson Torres (ex-Justiça), Augusto Heleno (ex-GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens), Paulo Sérgio Nogueira (ex-Defesa) e Braga Netto (ex-Casa Civil).
Eles respondem por associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Apenas Ramagem não é acusado dos dois últimos crimes, por já estar diplomado deputado federal na época dos fatos.
Impacto político
O julgamento é considerado um dos mais relevantes da história recente do Supremo, por colocar sob análise líderes militares e políticos ligados ao bolsonarismo. A decisão de Zanin de reforçar a agenda busca garantir que a conclusão do caso avance com mais celeridade e sob ampla visibilidade pública.






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