Rússia e Ucrânia realizaram nesta sexta-feira uma nova troca de prisioneiros de guerra, com 193 militares libertados de cada lado. A operação foi mediada pelos Emirados Árabes Unidos e pelos Estados Unidos e representa um dos poucos momentos de cooperação entre os dois países desde o início do conflito.
Autoridades de Moscou e Kiev confirmaram a troca, que ocorreu na região de Chernihiv, no norte da Ucrânia. A iniciativa integra esforços para manter canais mínimos de negociação abertos, mesmo diante da continuidade dos combates.
Retorno dos prisioneiros
Jornalistas que acompanharam a operação relataram a chegada de dezenas de militares ucranianos, visivelmente debilitados, mas emocionados com a libertação. Muitos estavam envoltos em bandeiras nacionais e entraram em contato com familiares após longos períodos de cativeiro.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou o retorno dos combatentes e destacou que eles atuaram em diferentes frentes da guerra. Segundo ele, a maioria estava detida desde 2022 e inclui militares feridos e alvos de processos por parte da Rússia.
Do lado russo, o Exército informou que os militares repatriados foram levados para Belarus, onde recebem assistência médica e psicológica.
Mediação internacional e histórico
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que já realizou 22 mediações desde o início da guerra, totalizando a troca de 6.691 prisioneiros entre os dois países.
Segundo autoridades ucranianas, mais de 9 mil cidadãos do país, em sua maioria militares, já foram libertados desde o início do conflito. A troca desta sexta-feira é a segunda realizada apenas neste mês. Em 11 de abril, 175 prisioneiros de cada lado foram libertados pouco antes de uma trégua de Páscoa.
As trocas de prisioneiros e de corpos têm sido os principais resultados concretos das negociações diretas entre Rússia e Ucrânia, iniciadas em 2025 sob pressão dos Estados Unidos.
Guerra e negociações em impasse
Apesar desses avanços pontuais, as negociações mais amplas permanecem paralisadas. O impasse se intensificou após o início de novos conflitos no Oriente Médio, que afetaram o ritmo das tratativas internacionais.
A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, segue como o maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com elevado número de vítimas e sem perspectiva imediata de solução diplomática.





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