O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 500 mil em dinheiro em espécie na declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A informação ganhou destaque porque R$ 468 mil desse montante foram apreendidos pela Polícia Federal durante uma operação realizada em dezembro do ano passado, e a corporação investiga se a versão apresentada pelo parlamentar para explicar a origem dos recursos é verdadeira.
Na prestação de contas encaminhada ao TSE, o deputado declarou patrimônio total de R$ 600 mil. Além dos R$ 500 mil em espécie, o documento inclui um terreno avaliado em R$ 100 mil. Na descrição do dinheiro, Sóstenes afirma que o valor corresponde ao pagamento recebido pela venda de uma casa, em uma negociação formalizada por escritura pública e contrato particular de compra e venda.
PF apura justificativa apresentada
Em entrevista ao jornal O Globo, Sóstenes afirmou que o dinheiro declarado é o mesmo apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Galho Fraco. Segundo o deputado, os recursos permanecem sob custódia das autoridades, mas ele pretende reavê-los ao término do processo.
O parlamentar sustenta que o dinheiro tem origem lícita e que foi obtido com a venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG). De acordo com ele, o valor ainda não havia sido depositado em instituição financeira quando ocorreu a operação policial.
Entretanto, a Polícia Federal investiga se o deputado e pessoas ligadas a ele teriam elaborado uma versão falsa para justificar a origem dos recursos encontrados em espécie. Na fase mais recente da investigação, iniciada no começo de julho, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra pessoas próximas ao parlamentar.
Escritura foi registrada após apreensão
Um dos pontos analisados pelos investigadores é a documentação referente à venda do imóvel. Conforme revelado anteriormente pelo O Globo, a escritura pública foi registrada em cartório apenas em 30 de dezembro, onze dias depois da apreensão do dinheiro.
Apesar disso, o documento informa que o pagamento integral de R$ 500 mil em espécie teria ocorrido em 24 de novembro, cerca de um mês antes da operação da Polícia Federal. Tanto Sóstenes quanto o comprador sustentam que foi nessa data que o contrato foi celebrado, embora o registro oficial tenha ocorrido posteriormente.
A investigação também apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara dos Deputados por meio de contratos de locação de veículos. Segundo a Polícia Federal, existem indícios de tentativa de ocultação ou alteração de provas relacionadas ao inquérito.
Deputado nega irregularidades
Sóstenes Cavalcante nega qualquer ilegalidade e afirma que todos os recursos declarados têm origem legal. O parlamentar diz que apresentará os esclarecimentos necessários durante o andamento das investigações e mantém a versão de que o dinheiro é resultado da venda regular do imóvel.





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