Carros chineses lideram importações e Brasil assume posto inédito no ranking mundial

País comprou US$ 5,2 bilhões em automóveis da China entre janeiro e maio, impulsionado pelo crescimento dos veículos elétricos e híbridos, e ultrapassou mercados tradicionais como Rússia e Bélgica

O Brasil alcançou um marco inédito no comércio internacional de veículos ao se tornar, pela primeira vez, o maior importador de automóveis da China. Dados da alfândega chinesa mostram que, entre janeiro e maio deste ano, o país adquiriu US$ 5,2 bilhões em carros produzidos no mercado asiático, dos quais US$ 4,5 bilhões correspondem a veículos eletrificados.

O desempenho representa uma mudança significativa em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Brasil importou US$ 2,1 bilhões em automóveis chineses e ocupava apenas a sexta posição entre os principais compradores. O avanço coloca o país à frente de mercados tradicionais, como Rússia, Bélgica, Reino Unido e Austrália.

Brasil assume liderança global

O ranking das exportações chinesas mostra que a Rússia ficou em segundo lugar, com compras de US$ 5 bilhões em automóveis. Na sequência aparecem Bélgica e Reino Unido, ambos com US$ 3,8 bilhões, enquanto a Austrália registrou importações de US$ 3 bilhões no acumulado dos cinco primeiros meses do ano.

Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, o Brasil importou US$ 5,35 bilhões em veículos eletrificados chineses. O volume representa cerca de 15% de todas as importações brasileiras provenientes da China no período.

O crescimento reforça a importância do mercado brasileiro para as montadoras chinesas, que ampliaram significativamente sua presença no país.

Veículos eletrificados impulsionam recorde

Os veículos eletrificados foram os principais responsáveis pelo avanço das importações. As compras de híbridos plug-in dobraram e atingiram US$ 2,79 bilhões no primeiro semestre. Já os veículos totalmente elétricos praticamente quadruplicaram, chegando perto de US$ 2 bilhões.

Outro dado que chama atenção é a evolução dos carros híbridos na pauta de importações brasileiras. Em apenas um ano, eles saltaram da 25ª para a sexta posição entre os produtos mais importados da China, registrando crescimento de 239% em valor.

Somadas, as importações dessas três categorias superaram, por exemplo, o total das compras brasileiras vindas da França, que alcançaram US$ 2,6 bilhões no mesmo período.

Tarifas influenciaram estratégia das importadoras

De acordo com a análise do CEBC, o aumento das importações ocorreu porque empresas brasileiras anteciparam embarques antes da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados, que passaram para 35% no início de julho.

Antes da mudança, as alíquotas variavam entre 25% e 30%, dependendo do tipo de veículo. A expectativa de aumento dos custos levou importadores a acelerar as compras ao longo dos primeiros meses do ano.

Outro fator apontado pelo conselho foi a adoção de barreiras comerciais por mercados como Estados Unidos e União Europeia contra automóveis elétricos chineses. Com isso, fabricantes da China passaram a direcionar uma parcela maior de suas exportações para países como o Brasil.

Mercado deve continuar aquecido

Mesmo com a entrada em vigor da nova tarifa de importação, a expectativa é que os embarques se estabilizem ao longo do segundo semestre. Ainda assim, o volume anual de veículos chineses importados poderá permanecer próximo ao registrado até agora ou até crescer.

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