Lançado pelo Podemos na disputa por uma vaga no Senado, o vereador Marcos Dias avança com discrição e firmeza na tentativa de conquistar uma cadeira na Câmara Alta. Pastor da Assembleia de Deus, sua estratégia guarda semelhanças com a campanha que levou Arolde de Oliveira ao Senado, em 2018. Dialoga prioritariamente com o eleitorado evangélico, mantém interlocução permanente com os segmentos conservadores e cultiva proximidade com a família Bolsonaro.
Com esse perfil, Dias desenvolve uma campanha silenciosa — e, justamente por isso, capaz de surpreender. Dirige sua mensagem, inicialmente, ao público com o qual compartilha afinidade religiosa e ideológica. Promove reuniões com pastores, obreiros e outras lideranças evangélicas em bairros das zonas Norte e Oeste, em um movimento que, até aqui, passou despercebido pelo grande público. Avança com discrição nos gestos e nas palavras, consolidando presença em redutos e bolsões conservadores da periferia.
Assim como ocorreu com Arolde em 2018, Marcos Dias busca crescer de forma gradual. A estratégia consiste em consolidar primeiro o apoio entre evangélicos e conservadores para, em seguida, ampliar seu alcance eleitoral. Aposta em uma mobilização capilar, organizada, de baixa exposição na mídia e pouco percebida pelos adversários.
De linhagem tradicional evangélica, Dias é pastor, filho de pastor e irmão de pastor. Não faz do púlpito palanque eleitoral. Mantém postura reservada durante as pregações e costuma dizer que igreja é lugar de oração, enquanto o palanque é o espaço apropriado para pedir votos. “Não se pode confundir uma coisa com a outra”, afirma com frequência.
A defesa de valores conservadores e a proximidade com a família Bolsonaro, contudo, não o levaram ao isolamento político. Na Câmara Municipal, mantém diálogo com representantes de diferentes correntes ideológicas. Defende o respeito às divergências e acredita na democracia como instrumento para o confronto civilizado de ideias entre adversários.





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