Após uma votação de cerca de dez horas, os sócios do Club de Regatas Vasco da Gama aprovaram, nesta sexta-feira (23), a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que será responsável pela gestão dos recursos destinados à reforma do estádio de São Januário. Ao todo, 3.059 associados participaram da eleição híbrida, com 2.315 votos a favor da SPE, 670 contrários e 74 abstenções, consolidando um apoio superior a 75%.
A criação da SPE é uma exigência legal prevista na lei que regula a transferência do potencial construtivo do terreno onde está o estádio, aprovada no ano passado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. De acordo com essa legislação, o Vasco poderá vender o direito de construir no local, mas todo o valor arrecadado deve ser investido exclusivamente na reforma do estádio e no desenvolvimento de projetos urbanísticos na região ao redor.
Com a formalização da SPE junto à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, o clube receberá oficialmente os direitos sobre o potencial construtivo e poderá iniciar a venda integral ou fracionada desse ativo, canalizando os recursos obtidos diretamente para a conta da SPE, que será vinculada à diretoria administrativa do Vasco. A relação entre o clube, por meio da SPE, e a Prefeitura do Rio será constante, definindo o cronograma e o fluxo financeiro das obras, respeitando os trâmites de licenciamento necessários.
Nos últimos meses, o Vasco já vem sondando o mercado em busca de investidores interessados na aquisição do potencial construtivo. Embora uma negociação inicial para venda total tenha sido interrompida, o clube mantém a expectativa de avançar com compradores para viabilizar o projeto.
Segundo Renato Brito Neto, segundo vice-presidente geral do Vasco e líder do processo de reforma, a previsão é que a obra comece com a aplicação de até 20% dos recursos captados, aumentando gradualmente conforme o clube demonstre à Prefeitura o cumprimento das etapas previstas. “O dinheiro arrecadado terá que ser obrigatoriamente usado na reforma, incluindo o pagamento de profissionais e encargos relacionados”, afirmou Brito Neto em entrevista à VascoTV.
O projeto original, desenvolvido pelo arquiteto Sergio Dias, tem orçamento estimado em cerca de R$ 506 milhões, embora ainda haja discussões entre o clube e a Prefeitura para ajustes, inclusive na capacidade do estádio, que pode variar entre 43 e 57 mil lugares.
Ainda sem data oficial para o início das obras, a expectativa é que a reforma comece ao final da atual temporada. O dirigente também mencionou a possibilidade de estabelecer parcerias com empresas privadas para auxiliar no financiamento e no plano de negócios do novo São Januário, o que pode acelerar a execução do projeto e ampliar suas ambições.
A reforma de São Januário representa um marco para o Vasco, que busca modernizar sua casa histórica e garantir infraestrutura adequada para receber torcedores e eventos esportivos em um padrão mais contemporâneo. A aprovação da SPE demonstra o comprometimento dos sócios com a viabilização financeira e a gestão transparente do investimento.





