Três dias depois da transferência de gestão do Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, para o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que também tem gestão pública, servidores da unidade de saúde continuam a manter o protesto contra a mudança nesta quinta-feira (17). À frente da manifestação, Cristiane Gerardo, diretora do Sindicato dos Servidores da Saúde, afirma que o clima no local é de tensão devido a uma possível intervenção da polícia para viabilizar a entrada dos funcionários do GHC.
— Eles estão estabelecendo um clima de guerra dentro de um hospital público, onde temos pacientes oncológicos. As janelas passaram a ser identificadas, as pessoas estão escrevendo, por exemplo, “CTI pediátrico” porque estão com medo de a polícia querer ocupar aqui usando bomba — conta Cristiane.
Ainda de acordo com a enfermeira, um carro com equipes do Ministério da Saúde e do GHC tentou entrar na unidade na manhã desta quinta, mas foram impedidos pelos manifestantes:
— Um carro do Ministério da Saúde tentou passar por cima da gente aqui, é um absurdo. Um monte de servidor que é mais velho, tem nem emocional para isso, teve que segurar o veículo. Isso é democracia? O Lula precisa intervir porque a ministra dele é um fiasco.
O secretário adjunto de atenção especializada à saúde do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior, disse que aguarda a definição da Justiça e das forças policiais para atuar na desocupação do hospital. Segundo o secretário, a pasta acionou a Advocacia-Geral da União solicitando a execução da decisão da troca de gestão. A medida foi tomada após duas tentativas fracassadas de 80 funcionários vindos de Porto Alegre (RS) começarem a trabalhar na unidade.
— Fizemos um ofício solicitando a execução da decisão, oficializamos a Polícia Federal e estamos em contato com a superintendência da corporação. Nos passaram que já receberam o documento e estão se organizando. Não sabemos quais estratégias vão utilizar, mas a preferência é que a desocupação seja feita no diálogo, sem uso da força. Porém isso não é compete ao Ministério da Saúde — destaca o secretário.
Procurada pela reportagem, o GHC informou que não tem envolvimento com a tentativa de entrada de um veículo na unidade de saúde. O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o episódio.
Uma enfermeira, que preferiu não ser identificada, destacou a importância de permanecer resistindo, mesmo com medo da intervenção policial. A mulher aponta que os servidores não esperavam viver um momento como esse, principalmente depois de tantos anos trabalhados.
— Eu estou me sentindo muito mal, estamos aqui desde 2005 e ninguém esperava estar passando por um momento desse, principalmente num governo oriundo de classe trabalhista. De qualquer forma, vamos continuar resistindo, apesar da ameaça policial. Estamos lutando todo dia para manter o mínimo, que é o nosso posto de trabalho. É só isso que a gente quer, trabalhar com material, com dignidade — ressalta a enfermeira.
Com informações de O Globo.





