Após audiência de conciliação, Justiça federal do Rio mantém reintegração de posse do Hospital de Bonsucesso

Juiz também restringiu qualquer manifestação que possa interferir nas atividades de gestão conduzidas tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelo Grupo Conceição

A Justiça Federal do Rio de Janeiro manteve a decisão que determina a reintegração de posse do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) para o Ministério da Saúde (MS) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A audiência de conciliação, realizada nesta segunda-feira (21), contou com a presença de representantes do MS, do GHC e do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social no Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev/RJ).

A decisão judicial garante o início do processo de transição da gestão do hospital, que ficará a cargo do GHC. O juiz também restringiu qualquer manifestação que possa interferir nas atividades de gestão conduzidas tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelo GHC.

O primeiro dia útil sob a nova administração foi marcado por protestos do sindicato e reforço no policiamento. Pela manhã, o local contou com apoio do batalhão local e do Batalhão de Choque, que permaneceram na entrada principal do hospital para garantir o acesso de funcionários e pacientes e prevenir possíveis tumultos. Mesmo com a forte presença policial, o sindicato dos servidores de saúde manteve sua manifestação do lado de fora, enquanto, no interior do hospital, equipes do grupo gaúcho realizavam uma vistoria técnica nas dependências da unidade.

A líder sindical Cristiane Gerardo criticou a presença dos agentes e a postura da nova gestão.

— Essa turma que entrou não está preocupada em abrir serviço público para a população. Eles ganharam a dispensa de licitação sem comparabilidade técnica. A polícia está virada para a gente. Num cenário breve, quem está sendo protegido vai entrar no camburão — afirmou Cristiane Gerardo.

Dentro do hospital, o novo comando do GHC começou oficialmente os trabalhos. Inspeções iniciadas no sábado continuaram nesta segunda-feira, revelando uma série de problemas estruturais. Equipamentos continuam embalados em caixas — estacionados nos corredores da unidade —, há infiltrações, goteiras e deficiências graves nas redes elétricas e hidráulicas, que necessitam de adequações para evitar novos incêndios, como o ocorrido em 2020.

A empresa também deu início ao recadastramento de todos os funcionários — concursados, terceirizados e até estagiários. O edital que prevê a contratação de 2.200 pessoas saiu na sexta-feira, dia 18; previsão é reforçar a equipe até o início do mês que vem.

O sindicato dos profissionais de saúde já enviou duas denúncias ao Ministério Público Federal e entrou com uma ação popular na última quarta-feira. Além disso, uma audiência de conciliação foi marcada. Membros do sindicato afirmam que a categoria está insatisfeita com as condições de trabalho e critica o que chama de “fatiamento”, a descentralização da gestão dos hospitais federais.

Nova direção

A superintendente do hospital, Elaine Machado Lopez, afirmou que a prioridade será a utilização dos recursos destinados pelo Ministério da Saúde para reestruturar a área de recursos humanos e infraestrutura de toda a unidade:

— Com certeza, a gente vai executar todos os recursos que estão destinados a nós, principalmente na área de recursos humanos. Precisamos equipar este hospital com equipamentos médicos, como mobiliários hospitalares, para garantir a segurança. Depois disso, melhorar questões já conhecidas como abastecimento, infraestrutura e projetos emergenciais. O arcabouço da nova gestão já está definido. Agora é deixar a gente trabalhar — declarou nova diretora.

Formada em enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Elaine também é mestra em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e foi diretora-executiva do Hospital Getúlio Vargas Filho de 2019 a 2023.

A nova diretora também atuou como gestora de contrato entre 2016 e 2019 na área hospitalar da Empresa Social Viva Rio, além de ter sido consultora junto ao Ministério da Saúde.

O Grupo Hospitalar Conceição conseguiu entrar no Hospital Federal de Bonsucesso após cinco dias de piquetes. Na manhã do último sábado, agentes do Batalhão de Choque usaram spray de pimenta para dispersar manifestantes na unidade. Os servidores federais que ocupavam dependências do hospital estavam impedindo que os integrantes da nova direção entrassem no prédio.

A desocupação da sala de direção aconteceu por volta das 6h, depois de uma rápida e pacífica negociação de policiais com os servidores que estavam no local. Mas o clima na porta da unidade foi de tensão durante todo o dia. Christiane Gerardo foi detida e levada para a Delegacia da Polícia Federal por desobediência e resistência.

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren -RJ) emitiu uma nota de repúdio à ação dos agentes. O conselho afirmou que “condena veementemente a violência empreendida contra os servidores da saúde, em especial os profissionais de enfermagem, que realizavam manifestações pacíficas a favor da saúde nos hospitais federais no Estado do Rio de Janeiro”.

Com informações de O Globo.  

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