‘Ser MC não é ser bandido’, defende noiva de Oruam em discurso na Alerj

Fernanda Valença foi convidada para audiência pública na Casa, com o tema ‘Direito à produção artístico-cultural de favela!’

A influenciadora digital e noiva do trapper Oruam, Fernanda Valença, discursou na tribuna da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (5), e defendeu companheiro, preso há 14 dias. Ela aproveitou para criticar a criminalização de artistas de favelas, durante audiência pública com o tema “Direito à produção artístico-cultural de favela!”, organizada pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL).

Fernanda contestou a forma como o artista vem sendo retratado e defendeu seu direito à liberdade de expressão:

“Mauro canta suas próprias dores, alegrias e vivências, e muitas vezes empresta sua voz para dar vida à realidade de outras pessoas. Isso não deveria ser normal no meio artístico? Durante muito tempo, a sociedade tenta criminalizar a cultura negra e periférica. Mauro nunca foi o que tentam, a todo custo, fazer dele. Ele não é bandido! Ser MC não é ser bandido. Cantar a realidade da favela, de pessoas pretas, ou seja, a realidade do Brasil, não te faz bandido. Mas agora podemos ver que isso te torna alvo”, disse Fernanda, emocionada.

O plenário da audiência contou com a presença de outros nomes conhecidos do cenário musical do Rio, como os MCs Chefin, Borges, MC Nem e MC Frank.

“Essa luta vai muito além da nossa história pessoal. Ela carrega o peso de tantos outros artistas que foram e ainda são discriminados, criminalizados e silenciados simplesmente por sua origem, cor da pele e por contarem a verdade em forma de música, de arte”, acrescentou Fernanda.

Oruam preso 

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 25 anos, o Oruam, está preso desde o dia 23 de julho, após se apresentar voluntariamente na Cidade da Polícia. Ele responde por tentativa de homicídio qualificada contra um delegado e um policial civil, durante uma operação realizada em sua mansão no Joá, Zona Oeste do Rio.

Na ocasião, a ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) tinha como objetivo apreender um adolescente foragido, identificado como Menor Piu, que estava escondido na residência do artista.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), Oruam e amigos tentaram impedir a abordagem e atacaram os agentes com socos e pedras (algumas pesando quase 5 quilos) arremessadas do segundo andar da casa, com mira direcionada às cabeças dos policiais. A promotoria afirma que o grupo agiu com dolo eventual, assumindo o risco de provocar mortes.

Atualmente, Oruam está detido na Penitenciária Dr. Serrano Neves, em Bangu, onde foi transferido recentemente para uma cela coletiva com outros detentos, inclusive ligados à facção Comando Vermelho. Ele divide a galeria com cerca de 140 pessoas.

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