Selic volta a cair e chega a 14,25% após cinco meses de estabilidade nos juros

Redução da taxa Selic para 14,25% ao ano foi aprovada por unanimidade pelo Copom, que citou cenário externo incerto, inflação elevada e necessidade de calibrar a política monetária

A taxa Selic voltou a cair. Em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira de 14,50% para 14,25% ao ano. O movimento contrariou parte das expectativas do mercado financeiro e marcou a continuidade do ciclo de cortes iniciado nas reuniões anteriores.

A decisão foi aprovada pelos sete integrantes do colegiado, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O corte de 0,25 ponto percentual ocorre após a Selic ter permanecido em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas antes do início da trajetória de redução dos juros.

No comunicado divulgado após o encontro, o Copom destacou que o ambiente internacional continua cercado de incertezas. Entre os fatores apontados estão as indefinições relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre os mercados globais, especialmente nos preços de ativos e commodities.

Segundo o Banco Central, o cenário exige cautela por parte das economias emergentes devido ao aumento da volatilidade internacional. Ao mesmo tempo, o colegiado observou que a atividade econômica brasileira mostrou aceleração no primeiro trimestre de 2026, com setores mais sensíveis ao ciclo econômico retomando protagonismo e o mercado de trabalho mantendo sinais de resiliência.

Apesar do desempenho da economia, o Copom alertou para a persistência das pressões inflacionárias. De acordo com o comunicado, os indicadores mais recentes mostram aceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes, afastando-se da meta estabelecida e superando o limite superior previsto.

Mesmo diante desse quadro, o comitê avaliou que a redução da taxa básica é compatível com uma trajetória que permita a convergência da inflação para a meta no primeiro trimestre de 2028. Por isso, considerou apropriado prosseguir com o processo de ajuste da política monetária.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e os investimentos. Já os cortes na taxa básica costumam estimular a atividade econômica ao facilitar o acesso ao crédito para famílias e empresas.

As projeções do mercado seguem indicando uma trajetória de queda gradual para os próximos anos. As estimativas apontam juros de 10,50% em 2027, 10% em 2028 e 9,50% em 2029. Ainda assim, a expectativa predominante entre analistas é que a Selic permaneça acima de dois dígitos até o fim do atual governo e também durante o mandato de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central.

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