Foto: Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central até 31 de dezembro
O Banco Central divulga nesta terça-feira a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acelerou a alta da Selic para 1 ponto percentual, subindo a taxa de 11,25% para 12,25% ao ano. O órgão ainda prometeu mais dois aumentos da mesma magnitude nas reuniões seguintes.
Na reunião da semana passada, o BC entregou o “choque de juros” esperado pelo mercado financeiro em meio à disparada do dólar e das expectativas de inflação. Mas isso na foi suficiente para segurar o dólar e o estresse no mercado.
Se a promessa se materializar nas próximas duas reuniões, a taxa chegaria em março de 2025 a 14,25% em março, o mesmo patamar anual do pico dos juros no governo de Dilma Rousseff.
Com esses dados, o atual diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, assumirá o Banco Central com uma taxa de juros maior que a do início do mandato do atual presidente, Roberto Campos Neto, criticado diversas vezes pelo governo Lula. O máximo de juros que Campos Neto entregou foi 13,75%, em 2022. Já Galípolo terá, no mínimo, 14,25%.
Tudo ou nada
No comunicado da reunião, na semana passada, o BC já havia mandado alguns recados. O primeiro foi direto. Já estão contratados mais 2 pontos percentuais de aperto da Selic. Ou seja, pelo menos os juros sobem até 14,25%. Ou mais. Esse é o piso no momento.
Desde o início do ciclo de alta, em setembro, o BC vinha optando por manter em aberto suas decisões futuras diante de um cenário de incerteza.
Impacto fiscal
O BC também disse claramente que o efeito do anúncio do pacote fiscal pelo governo federal na taxa de câmbio e nas expectativas inflação “contribuem para uma dinâmica inflacionária mais adversa”.
No último Copom, o BC já havia listado como risco para o aumento da inflação o efeito de “políticas econômicas externa e interna” por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
A autoridade monetária também vinha acompanhando com atenção os desenvolvimentos fiscais e havia alertado em novembro sobre a necessidade de apresentação e execução de medidas fiscais estruturais.
Nova surpresa
O Copom destacou no comunicado o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, cujo crescimento foi de 0,9%.
Para o comitê, com o resultado, houve abertura adicional do hiato do produto (indicador de demanda acima da oferta na economia). Ou seja, a atividade está operando em um nível ainda mais alto do que sua estrutura produtiva suporta, o que tem impacto inflacionário.
Disparada da inflação
Assim como as expectativas de inflação, as projeções oficiais do BC para o IPCA dispararam em relação ao Copom de novembro.
Para 2025, a projeção subiu de uma vez 0,60 ponto percentual, de 3,9% para 4,5%, no limite superior da meta. No horizonte relevante da política monetária, o segundo trimestre de 2026, a alta foi de 3,6% para 4,0%.
“O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, elevação das projeções de inflação, dinamismo acima do esperado na atividade e maior abertura do hiato do produto, o que exige uma política monetária ainda mais contracionista.”
Efeito Trump
No cenário externo, o Copom retirou do comunicado a palavra “incerta” para se referir à conjuntura econômica dos Estados Unidos. O último encontro ocorreu no mesmo dia do resultado da eleição presidencial norte-americana, que deu vitória a Donald Trump, e resultou em uma surpreendente primeira reação positiva dos mercados.
Com mais tempo de avaliação e analisando os últimos dados da economia americana, o Copom concluiu agora que a conjuntura econômica dos Estados Unidos “suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed”.
Com informações de O Globo





