O Carnaval transforma o Rio de Janeiro em um grande palco de cores, ritmos e celebração. Entre os dias 13 e 17 de fevereiro, o Sambódromo Marquês de Sapucaí, na região central da cidade, recebe os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, principal divisão da folia carioca.
Nesta segunda-feira (16), quatro agremiações cruzam a avenida em apresentações que duram, em média, cerca de uma hora e meia. Cada escola leva para a pista milhares de componentes e atrai um público expressivo nas arquibancadas e camarotes.
Mocidade abre a noite com Rita Lee
A primeira a entrar na pista é a Mocidade Independente de Padre Miguel, às 22h. Tradicional escola da Zona Oeste, a verde e branca aposta em um desfile competitivo para abrir a noite do Grupo Especial e embalar o público desde os primeiros acordes da bateria.
A Mocidade apresentará o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, em tributo à cantora que se consagrou como uma das principais vozes da música brasileira. No desfile, o carnavalesco Renato Lage vai retratar a trajetória artística da intérprete, destacando sua importância na transformação da cena do rock nacional e sua influência na cultura do país.
Tradição e religiosidade na Beija-Flor
A Beija-Flor de Nilópolis apresenta como enredo o Bembé do Mercado, tradicional manifestação de candomblé de rua realizada em Santo Amaro de Purificação, no Recôncavo Baiano. A proposta destaca a força das religiões de matriz africana e sua importância histórica e cultural.
O desfile da escola é assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que volta a conduzir o projeto artístico da agremiação em mais uma participação no Grupo Especial.
Viradouro entra na madrugada
À 1h, é a vez da Unidos do Viradouro. A escola de Niterói, conhecida por desfiles impactantes nos últimos anos, entra na avenida já na madrugada, mantendo o ritmo da noite e apostando na força de sua comunidade para sustentar a energia do espetáculo.
Mestre Ciça viverá um desfile de muita responsabilidade este ano: além de reger a bateria da Viradouro, ele será homenageado pela escola como enredo neste carnaval. Ciça é considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade — na função há cerca de 40 anos.
Literatura e resistência na Unidos da Tijuca
Última a entrar na avenida, a Unidos da Tijuca presta homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, considerada uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira. O título do enredo será o próprio nome da autora.
O carnavalesco Edson Pereira detalhou a proposta artística em comunicado divulgado nas redes sociais da escola.
“A agremiação desfraldará, feito pavilhão engalando, o lenço que foi a prisão imagética de Carolina, coroando-a de livros, recortes e poesias, num reencontro sensível e emocionante com a sua literatura visceral, verdadeira e comovente”, disser o carnavalesco Edson Pereira em comunicado compartilhado nas redes sociais da escola.
A escolha reforça o caráter social e cultural do Carnaval, que frequentemente transforma a avenida em espaço de memória, crítica e valorização de figuras históricas.
Ordem dos desfiles
A programação da noite prevê a seguinte sequência de apresentações:
22h – Mocidade Independente de Padre Miguel
23h30 – Beija-Flor de Nilópolis
1h – Unidos do Viradouro
2h30 – Unidos da Tijuca
Espetáculo na avenida
Cada desfile reúne milhares de integrantes entre alas, destaques e integrantes da bateria, além de carros alegóricos que ocupam toda a extensão da pista. A expectativa é de que o Sambódromo receba grande público para acompanhar as apresentações.
Com enredos que transitam entre tradição afro-brasileira e literatura de resistência, a noite promete consolidar mais um capítulo marcante do Carnaval carioca na Sapucaí.






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