A Prefeitura de São Paulo determinou na terça-feira (9) o afastamento do gerente de eventos da SPTuris, Rodrigo Raveli Bolzan, após denúncias que apontam uma suposta ligação dele com contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes, que informou a abertura de uma investigação conduzida pela Controladoria Geral do Município (CGM).
Segundo a denúncia divulgada pelo portal Metrópoles, Raveli teria favorecido a celebração de contratos do instituto junto à SPTuris após assumir cargo de gestão na empresa municipal responsável pelos eventos e pelo turismo da capital paulista.
Nova frente de investigação
A apuração surge em meio aos desdobramentos da Operação Sem Wi-Fi, realizada pela Polícia Civil na semana passada.
A investigação tem como foco contratos milionários relacionados à instalação de pontos de internet gratuita na cidade de São Paulo. A empresária Karina Gama e empresas ligadas a ela foram alvo de mandados de busca e apreensão.
De acordo com a reportagem, Raveli teria sido sócio da empresa Complexys Soluções Integradas LTDA, que também foi alvo da operação policial.
Documentos mencionados na investigação apontam que o Instituto Conhecer Brasil apresentou à prefeitura uma nota fiscal cancelada de aproximadamente R$ 2 milhões emitida pela Complexys durante a prestação de contas do contrato de wi-fi.
Contratos sob análise
Segundo a denúncia, Rodrigo Raveli teria autorizado pagamentos de cerca de R$ 3,5 milhões relacionados a despesas de eventos realizados pelo instituto com recursos da SPTuris.
A reportagem também aponta que ele teria atuado como fiscal de contratos que somam aproximadamente R$ 9 milhões firmados com empresas ligadas a antigos parceiros comerciais.
As informações passaram a ser analisadas pela Controladoria do Município, que deverá verificar a existência de eventuais irregularidades administrativas ou conflitos de interesse.
O que disse Ricardo Nunes
Ao anunciar o afastamento, Ricardo Nunes afirmou que a medida foi adotada para garantir uma investigação sem interferências.
Segundo o prefeito, caso sejam identificadas ilegalidades, o servidor poderá ser desligado definitivamente dos quadros da administração municipal. Por outro lado, ele afirmou que não pretende antecipar julgamentos antes da conclusão das apurações.
Nunes também destacou que a prefeitura tem adotado medidas de controle e fiscalização após denúncias anteriores envolvendo a SPTuris.
Histórico de problemas
A empresa municipal já havia enfrentado outras crises recentes. No início deste ano, a prefeitura promoveu mudanças no comando da SPTuris após denúncias relacionadas a contratos milionários firmados com uma empresa investigada pela Controladoria Geral do Município.
Na ocasião, deixaram os cargos o então secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho da Silva, e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires.
O prefeito afirmou que as mudanças foram realizadas justamente para ampliar os mecanismos de controle e evitar qualquer suspeita sobre o uso de recursos públicos.
Defesa do instituto
Após a operação policial, o Instituto Conhecer Brasil divulgou nota afirmando que colaborou integralmente com as autoridades.
A entidade informou que contratou auditorias e perícias independentes para acompanhar as investigações e reiterou sua convicção de que a documentação demonstrará a regularidade dos contratos e a correta aplicação dos recursos recebidos.
O instituto também declarou que continuará à disposição da Justiça, dos órgãos de controle e das autoridades responsáveis pelas apurações.






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