Seap afasta policiais penais por esquema de cigarros ilegais ligado a Adilsinho em presídios do RJ

Investigação aponta “máfia interna” e possível ligação com grupo criminoso; diretor de unidade foi exonerado

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) afastou cinco policiais penais suspeitos de participação em um esquema de entrada irregular de cigarros em unidades prisionais do estado. Entre os investigados está um diretor de presídio, que acabou exonerado do cargo. Os nomes não foram revelados.

A apuração é conduzida pela Corregedoria da pasta, que identifica a atuação de uma suposta “máfia interna” responsável por facilitar o acesso de grandes quantidades de cigarros às cadeias fluminenses.

De acordo com os relatórios, todos os produtos inseridos no sistema eram contrabandeados ou falsificados, o que reforça a suspeita de conexão entre os servidores e uma organização criminosa que atua no comércio ilegal.

Disputa por controle do comércio dentro das prisões

As investigações indicam que há uma disputa entre grupos pelo monopólio do fornecimento de cigarros nas unidades prisionais do Rio. O item é considerado valioso dentro dos presídios e funciona como moeda de troca entre detentos.

A suspeita é de que o grupo investigado estivesse operando para controlar esse mercado, abastecendo ilegalmente as cadeias com grandes carregamentos.

As autoridades também apontam possível ligação do esquema com a organização comandada por Adilson Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, preso em fevereiro deste ano em Cabo Frio após longo período foragido.

Apreensões e novas regras para entrada de cigarros

Em 2025, a Seap apreendeu cerca de 1.400 maços de cigarro que tentavam entrar no sistema prisional por meio de encomendas e visitas. Apenas em uma operação, realizada em novembro, foram interceptados aproximadamente 400 maços.

As apreensões motivaram a abertura de uma sindicância interna e levaram à adoção de medidas mais rígidas para controlar a entrada desses produtos.

Desde janeiro, uma resolução da secretaria passou a limitar a quantidade permitida: visitantes podem levar até 12 maços por entrada, enquanto familiares também podem adquirir produtos por meio de cestas de custódia com itens legalizados.

Violência e mortes ligadas à disputa

Segundo documentos da Seap, a tentativa de controle exclusivo da venda de cigarros dentro das unidades teria desencadeado conflitos entre grupos rivais.

Essa disputa é apontada como possível causa de ao menos três mortes, incluindo a do policial penal Bruno Killier, executado em junho de 2023 no Recreio dos Bandeirantes.

Investigações da Delegacia de Homicídios da Capital indicam que o crime teria sido cometido por integrantes do grupo ligado a Adilsinho, embora a participação direta de Killier no esquema não conste oficialmente.

Ligação com contravenção e expansão do esquema

As apurações também indicam que o grupo suspeito contaria com apoio da contravenção na região de Duque de Caxias, ampliando a rede de distribuição ilegal.

Outras mortes relacionadas à disputa incluem a de um comerciante do setor de tabaco e a de um ex-policial militar, reforçando o cenário de violência em torno do controle desse mercado clandestino.

Diante das suspeitas, a Seap afirma que segue aprimorando os mecanismos de fiscalização para restringir a entrada de materiais ilícitos nas unidades e reduzir a influência de organizações criminosas dentro do sistema prisional.

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