Ruy Castro é consagrado com o Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2025

Cerimônia no Theatro Municipal do Rio celebra nomes da literatura brasileira e homenageia Ana Maria Machado

O escritor e colunista Ruy Castro foi o grande destaque da 66ª edição do Prêmio Jabuti, realizada nesta segunda-feira (27) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O autor venceu na categoria Crônica e também levou o troféu de Livro do Ano com “O Ouvidor do Brasil: 99 Vezes Tom Jobim” (Companhia das Letras), uma coletânea de textos sobre o maestro e compositor Tom Jobim.

Ruy Castro dedica prêmio aos leitores
Ao receber o prêmio, o imortal da Academia Brasileira de Letras agradeceu aos leitores que o acompanham há mais de três décadas. “Esse bichinho aqui eu recebo em nome de todos os leitores que estão comigo nesses 35 anos como autor. Eu não sou exatamente um escritor — apenas faço perguntas e tomo notas. O Rio é inesgotável e ainda tem muitas histórias a serem contadas”, afirmou.

Tony Bellotto supera Chico Buarque e vence como melhor romancista
Na categoria Romance Literário, o vencedor foi o músico e escritor Tony Bellotto, com “Vento em Setembro” (Companhia das Letras). O guitarrista dos Titãs superou nomes consagrados como Chico Buarque, Jeferson Tenório, Marcelino Freire e Alberto Mussa. A premiação foi acompanhada de perto pela atriz Malu Mader, esposa de Bellotto, que registrou o momento emocionada.

Mulheres se destacam em saúde e reportagem
A psicanalista Vera Iaconelli, colunista da Folha, venceu na categoria Saúde e Bem-Estar com “Felicidade Ordinária”, enquanto a jornalista Daniela Arbex recebeu seu segundo Jabuti pelo livro “Longe do Ninho” (Intrínseca), que relembra a tragédia no centro de treinamento do Flamengo em 2019.

Premiações póstumas e novos talentos
O poeta Armando Freitas Filho foi homenageado postumamente com o prêmio de Poesia por “Respiro”, lançado pouco após sua morte em setembro, aos 84 anos. O troféu foi recebido por sua família e pela editora Alice Sant’Anna, que também teve a capa de seu livro “Acrobata” premiada. Já entre os novos nomes da literatura, Luis Osete venceu como melhor poeta estreante com “Maracujá Interrompida” (Cepe), e Marcelo Henrique Silva foi o melhor romancista estreante com “Sangue Neon” (Faria e Silva).

Diversidade de editoras e reconhecimento nacional
A edição de 2025 do Jabuti também consagrou editoras independentes, como a Patuá, que venceu com “As Fronteiras de Oline” (Rafael Zoehler) em Romance de Entretenimento e “Dores em Salva” (Elimário Cardozo) em Contos. O projeto Abrapalavra, de Minas Gerais, levou o prêmio de Fomento à Leitura, enquanto “Braba”, antologia de quadrinhos brasileiros, venceu como melhor livro publicado no exterior.

Tradição e renovação no maior prêmio literário do país
Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti é o mais importante reconhecimento da literatura nacional. Além da estatueta, os vencedores de cada categoria recebem R$ 5 mil, e o autor do Livro do Ano, R$ 70 mil e uma viagem à Feira do Livro de Londres.
Nesta edição, a homenageada foi a escritora Ana Maria Machado, celebrada por sua carreira com mais de cem obras publicadas e o prestigiado prêmio Hans Christian Andersen.

O evento marcou o ano em que o Rio de Janeiro foi nomeado Capital Mundial do Livro pela Unesco, reforçando o protagonismo da cidade e dos autores brasileiros no cenário literário internacional.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading