Roubo de cargas cai 9,4%, mas prejuízo cresce 16,16% no Rio, aponta Sindicarga

Estudo apresentado na Fecomércio revela mudança no perfil do crime e avanço da informalidade no estado

O roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro apresentou queda de 9,4% em 2025 na comparação com 2024, mas o impacto financeiro do crime aumentou 16,16% no mesmo período. Os dados fazem parte de um estudo do Sindicarga apresentado durante reunião do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio RJ.

O levantamento, baseado em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP), indica uma mudança no perfil das ações criminosas, com foco em cargas de maior valor agregado. Segundo o presidente do Sindicarga, Filipe Coelho, alimentos e produtos similares seguem como os principais alvos das quadrilhas.

Mudança no perfil e impacto econômico

De acordo com Coelho, além do prejuízo direto, o roubo de cargas afeta a logística e a produtividade das empresas, pressionando custos que acabam sendo repassados ao consumidor final. Ele também destacou relatos de distribuidores que deixaram de operar em determinadas regiões devido ao controle territorial exercido por grupos criminosos.

O executivo defendeu maior integração entre o setor produtivo e os poderes públicos para garantir ações mais eficazes na área de segurança. “Como promover desenvolvimento econômico em áreas dominadas pelo poder paralelo?”, questionou.

Informalidade agrava cenário

Durante o encontro, o secretário do Conselho e diretor-executivo do IFec RJ, João Gomes, alertou para o avanço da informalidade no estado. Segundo ele, o crescimento do mercado ilegal ocorre de forma preocupante e está diretamente ligado ao aumento de práticas como a receptação de cargas roubadas.

Para Gomes, o problema envolve múltiplas causas e exige respostas coordenadas. “Há um entrelaçamento de fatores que aprofunda esse cenário e amplia seus efeitos negativos sobre a economia e a sociedade”, afirmou.

Propostas e necessidade de mudanças

O coordenador do Disque Denúncia, Renato Almeida, defendeu a revisão da legislação relacionada à segurança pública, além da intensificação de campanhas de conscientização. Ele ressaltou que o combate ao roubo de cargas é essencial para evitar perdas de arrecadação.

Já o presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, apontou a falta de recursos adequados para o enfrentamento do mercado ilegal e destacou a necessidade de maior controle sobre a venda de produtos irregulares em plataformas digitais.

As reuniões do conselho têm como objetivo consolidar propostas e fortalecer a atuação conjunta entre setor produtivo e poder público, diante de um problema que gera impactos diretos na economia fluminense.

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