Rivaldo Barbosa alega que fato de dentista ser o mesmo usado por milicianos foi ‘apenas indicação’  

Ele alegou que procurou o dentista em Rio das Pedras porque precisava de uma ‘obturação e de limpeza nos dentes’

Em depoimento à Polícia Federal, Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro e acusado de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, comentou sobre suas visitas ao mesmo dentista que atendia chefes da milícia na comunidade de Rio das Pedras, conhecida pelo domínio do crime organizado.

Entre 2016 e 2017, conforme informações da colunista Bela Megale, do Globo, o delegado realizou um tratamento dentário em um consultório na comunidade, que também atendia o ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, líder do grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório do Crime”. O consultório era frequentado também pelos milicianos Maurício Silva da Costa, o “Maurição”, e Marcus Vinícius Reis dos Santos, o “Fininho”.

Durante a oitiva, Rivaldo afirmou que “nunca se encontrou com Adriano da Nóbrega no dentista ou por acaso na rua”. O delegado mencionou que só esteve cara a cara com Adriano uma vez, durante um depoimento do ex-capitão em 2012, na Delegacia de Homicídios. Ele ainda declarou que “não tinha conhecimento de que Adriano e Fininho frequentavam o consultório”.

Rivaldo Barbosa alegou que procurou o dentista em Rio das Pedras porque precisava de uma “obturação e limpeza dos dentes”. Disse ter visitado o consultório “no máximo quatro vezes”, mas não se lembrava das datas específicas.

Questionado sobre a necessidade de ir àquele dentista em particular, Rivaldo respondeu que “precisava ser um dentista indicado”. Ele afirmou que a indicação foi feita pela Dra. Patrícia Aguiar e que foi apresentado ao profissional durante um almoço.

O portal “G1” informou que, em abril deste ano, a PF colheu depoimento do dentista. O objetivo era entender por que o delegado, residente no Recreio dos Bandeirantes, escolheu um dentista em Rio das Pedras, uma comunidade dominada pela milícia mais antiga do Rio. Na ocasião, o dentista afirmou não se lembrar de Rivaldo, Adriano, Maurição e Fininho terem se encontrado na recepção do consultório. Ele relatou que abriu o consultório em 1999 e que Rivaldo Barbosa se tornou seu paciente em 2016, frequentando o local por quatro ocasiões.

No mesmo depoimento, Rivaldo negou conhecer os irmãos Brazão e também afirmou que não participou de nenhum plano para assassinar a vereadora Marielle Franco, em 2018.

Com informações de O Globo.

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