O delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, fez, entre 2016 e 2017, tratamento dentário em um consultório no interior da comunidade de Rio das Pedras.
A região é dominada por uma milícia e, entre outros clientes do dentista estavam ainda o chefe do grupo de matadores de aluguel Escritório do Crime, o capitão Adriano da Nóbrega; os milicianos Maurício Silva da Costa, o Maurição, tenente reformado da PM do Rio e Marcus Vinícius Reis dos Santos, o Fininho, além do inspetor Marco Antônio Barros Pinto, o Marquinho, chefe de Investigação da Delegacia de Homicídios, quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos em março de 2018.
Em 24 de abril, o dentista João Marcos Matos Ururahy da Rocha prestou depoimento na PF. Não há crime na atuação do profissional e nem de ter esses pacientes, milicianos ou policiais.
A Polícia Federal quis saber qual o motivo de o delegado, morador do Recreio dos Bandeirantes, escolher um dentista no interior de uma comunidade dominada pela milícia mais antiga do Rio.
Em seu depoimento, o dentista contou que montou o consultório em 1999, no interior de Rio das Pedras, logo após se formar. O delegado Rivaldo passou a ser seu paciente em 2016.
No período de um ano, ele foi ao consultório em quatro ocasiões.
João Marcos não se recorda de Rivaldo, Adriano, Maurição e Fininho terem se encontrado na recepção do consultório.
Para a PF, soou estranho o delegado fazer tratamento no interior da favela. Houve a suspeita de que Rivaldo tivesse sido indicado pelo policial Marquinho. O dentista negou, mas não disse quem indicou o delegado a ele.
Rivaldo Barbosa está preso na penitenciária federal de Brasília.
Maurição está na penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O miliciano Fininho está preso no Sistema Penitenciário do Rio.
Adriano da Nóbrega morreu em fevereiro de 2020, no interior da Bahia.
O policial Marquinhos foi alvo de buscas na operação Murder Inc, da Polícia Federal, que prendeu, em 24 de março, Rivaldo e os irmãos Chiquinho Brazão, deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A reportagem entrou em contato com a defesa de Rivaldo e aguarda resposta.
Com informações do g1.





