Delegado Giniton, responsável pelas investigações da morte de Marielle e prisão dos assassinos, deve depor hoje no STF

Uma das testemunhas mais esperadas, por ser o primeiro a apurar o crime e prender os assassinos confessos Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz

Um dos depoimentos mais aguardados no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os mandantes do Caso Marielle Franco deve ocorrer nesta quarta-feira (25/09): o do delegado Giniton Lages. Primeiro policial a investigar o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, Giniton também foi o responsável pela prisão dos assassinos confessos, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz.

Arrolado como testemunha em defesa do ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, apontado pela Polícia Federal como mentor intelectual do crime, Giniton precisará justificar por que demorou sete meses para iniciar a investigação sobre Lessa, mesmo após o ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, ter sugerido que ele apurasse a participação do ex-PM no assassinato da vereadora.

Outras duas defesas também indicaram Giniton como testemunha, sendo elas as dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) e deputado federal, respectivamente. Embora a Polícia Federal tenha indiciado Giniton e o comissário Marco Antonio de Barros Pinto, o Marquinho, pelo crime de obstrução à investigação, isto é, acusados de terem criado obstáculos à elucidação do crime, os advogados dos réus devem explorar o fato de o delegado ter ouvido Domingos e Chiquinho logo após as mortes de Marielle e Anderson. Giniton e Marco não foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mas a Justiça decidiu reduzir seus salários.

No entanto, as investigações do delegado da Polícia Federal Guilhermo Catramby, responsável pelo indiciamento dos irmãos Brazão e Rivaldo como mandantes, revelaram que as perguntas feitas aos réus quando Giniton investigou o duplo homicídio eram praticamente as mesmas para todos os depoentes. Além disso, segundo a PF, as quebras telemáticas de Domingos e seus parentes não resultaram em nada contra eles, porque não havia registros de conversas nos aplicativos de seus celulares, nem dados armazenados em seus computadores. Todas essas questões deverão ser abordadas com o delegado Giniton durante seu depoimento.

Rivaldo Barbosa (primeiro) frequentava consultório odontológico, em Rio das Pedras, área de milícia, e, segundo o delegado Giniton Lages (ao centro) disse em depoimento que seu chefe de investigação, Marco Antônio Pinto Barros (último),  era amigo de dentista — Foto: Reprodução
Rivaldo Barbosa (primeiro) frequentava consultório odontológico, em Rio das Pedras, área de milícia, e, segundo o delegado Giniton Lages (ao centro) disse em depoimento que seu chefe de investigação, Marco Antônio Pinto Barros (último), era amigo de dentista — Foto: Reprodução

Giniton teria se comprometido com o advogado Marcelo Ferreira, defensor de Rivaldo, a comparecer à audiência de instrução e julgamento, marcada para as 13h desta quarta-feira. No entanto, há dúvidas se ele poderá depor, caso problemas técnicos no presídio federal de Porto Velho (RO), onde Domingos está preso, não sejam resolvidos. Desde segunda-feira (23/09), a comunicação na unidade foi prejudicada devido ao rompimento de fibra óptica, de acordo com a assessoria técnica do STF. Os advogados de Domingos já informaram que, se o conselheiro não puder acompanhar o depoimento de Giniton, a sessão deverá ser suspensa para evitar o cerceamento de defesa do réu.

Em 30 de julho deste ano, Giniton prestou um depoimento à Polícia Federal, no qual afirmou que não se surpreendeu, ao saber pela imprensa, que os irmãos Brazão foram apontados por Lessa como mandantes da morte de Marielle. Segundo o delegado, ele já havia investigado o conselheiro e o deputado federal, que, na época do crime, era colega da parlamentar na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Embora nenhum dos assessores de Marielle fizesse referência a Chiquinho, após serem ouvidos na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), surgiram denúncias contra ele e seu irmão Domingos. Giniton disse que chegou a pedir a quebra do sigilo telefônico de Chiquinho, retroativo ao mês de junho de 2017, pois já considerava o então vereador como uma “hipótese remota”.

Giniton disse que não esperava ser alvo de busca e apreensão em março deste ano, mas sim, em 2018, quando a própria Polícia Federal foi responsável pela “investigação da investigação”, que visava apurar justamente a farsa criada para imputar o duplo homicídio ao miliciano Orlando Oliveira de Araujo, o Orlando da Curicica, e ao ex-vereador Marcello Siciliano. A investigação da PF concluiu, inclusive, que houve também uma tentativa de evitar que o caso fosse elucidado, a partir da apresentação de um policial militar por três delegados da Polícia Federal ao delegado Rivaldo Barbosa, criando uma versão falsa envolvendo Orlando da Curicica e Siciliano.

Ao ser ouvido na PF, Giniton afirmou que não era amigo do ex-chefe de Polícia Civil, “era apenas um colega de trabalho, e manteve com Rivaldo uma relação estritamente profissional, nunca fora do ambiente de trabalho”. Outra informação importante prestada por ele foi que apenas Rivaldo e o general Richard Fernandez, secretário de Segurança Pública na época da intervenção, quando ocorreu o assassinato de Marielle e Anderson, tinham acesso às informações sobre as investigações.

Com informações de O Globo

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