O Rioprevidência aparece no centro das investigações da Polícia Federal sobre aplicações feitas por institutos de Previdência no Banco Master. O fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio já foi atingido por três ações, enquanto a PF apura investmentos que somam cerca de R$ 3 bilhões na instituição financeira de Daniel Vorcaro.
O caso fluminense é o de maior impacto entre os sete institutos de Previdência que entraram na mira da Polícia Federal desde a primeira operação relacionada ao Master, deflagrada em novembro de 2025. Ao todo, fundos de seis estados tiveram aplicações investigadas: Rio de Janeiro, Amapá, Alagoas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
Grande parte dos investimentos investigados foi realizada em letras de crédito sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), segundo o Poder360. Essas operações envolviam maior risco e tinham como contrapartida perspectivas de rentabilidade acima da média do mercado.
R$ 3 bilhões sob investigação no Rio
No caso do Rioprevidência, uma frente das investigações está relacionada à operação Barco de Papel, que atingiu direta ou indiretamente o fundo em 23 de janeiro e 3 de fevereiro.
A Polícia Federal apura a aplicação de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. As operações ocorreram durante o governo de Cláudio Castro (PL), que também foi alvo da primeira fase da Barco de Papel.
Outra frente foi aberta em 26 de maio, durante a oitava fase da operação Compliance Zero. Nela, a PF passou a investigar outros R$ 2,01 bilhões aplicados, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados ao Master.
Somados, os dois conjuntos de aplicações chegam a aproximadamente R$ 3 bilhões, valor que colocou o Rioprevidência em posição de destaque nas apurações envolvendo recursos previdenciários direcionados ao banco.
PF chegou a fundos de seis estados
As investigações não estão restritas ao Rio. Desde o início das apurações, sete institutos de Previdência de seis estados passaram por desdobramentos das operações da Polícia Federal.
Além do Rioprevidência, foram atingidos fundos estaduais ou institutos localizados no Amapá, Alagoas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
A dimensão do caso fluminense, entretanto, diferencia o Rio dos demais. O volume de R$ 3 bilhões investigado pela PF envolve recursos destinados ao sistema previdenciário dos servidores estaduais e foi dividido entre letras financeiras e fundos de investimento relacionados ao Master.
Compliance Zero avançou em 2026
A investigação sobre as suspeitas envolvendo o Banco Master está concentrada na operação Compliance Zero, inicialmente autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025.
A primeira fase resultou na prisão provisória dos principais executivos ligados à instituição, posteriormente liquidada pelo Banco Central. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2025, inicialmente sob a relatoria de Dias Toffoli.
Toffoli deixou a relatoria em fevereiro de 2026, e André Mendonça assumiu o processo. Daniel Vorcaro voltou a ser preso no início de março e permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A Compliance Zero chegou à oitava fase em maio diretamente relacionada ao caso do Rio. Na ocasião, o então governador Cláudio Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação passou a investigar suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o Rioprevidência, tendo como referência movimentações que totalizam R$ 3 bilhões, segundo a Polícia Federal.







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