PF encontra no celular de Vorcaro mensagem sobre ‘dono’ que autorizaria operações no Rioprevidência

Mensagens analisadas mostram lobista dizendo que alguém precisava autorizar operações internamente; investigação não identifica quem seria essa pessoa e aponta quase R$ 3,7 bilhões aplicados em produtos ligados ao Banco Master

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A quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro acrescentou um novo elemento à investigação sobre a relação entre o Banco Master e o Rioprevidência. Em uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF), o lobista Ricardo Siqueira, conhecido como Ricardo Gordo, afirmou ao banqueiro que havia um “dono” no fundo previdenciário do Estado do Rio que precisaria autorizar internamente as operações.

Segundo o relatório da PF, Siqueira escreveu: “Lá tem um dono, e esse dono precisa autorizar os caras internamente”. Os investigadores não esclareceram a identidade da pessoa mencionada pelo lobista nem apontaram, nesse trecho, quem teria poder para dar a autorização citada.

As conversas integram a apuração sobre investimentos realizados pelo Rioprevidência em produtos relacionados ao Banco Master. Segundo a investigação, os aportes chegaram a quase R$ 3,7 bilhões. O fundo estadual é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 250 mil servidores inativos e pensionistas.

Lobista falava em destravar operações

Na mesma conversa, Ricardo Gordo afirmou que conseguiria “destravar a parte técnica das aplicações” e mencionou uma operação de R$ 500 milhões.

Para a PF, as mensagens indicam que o lobista se apresentava como alguém com capacidade de viabilizar etapas técnicas necessárias à realização de investimentos de grande porte.

A investigação também identificou mudanças na estratégia de captação de recursos do Banco Master. Segundo o relatório, depois que as Letras Financeiras passaram a enfrentar restrições e questionamentos, novos produtos foram utilizados para continuar atraindo investimentos de regimes próprios de previdência.

O Rioprevidência aparece, segundo a PF, entre os primeiros investidores de alguns desses fundos.

Aportes começaram após criação de fundos

Um dos exemplos destacados pelos investigadores é o Fundo Revolution, criado em maio de 2025. No mesmo dia em que o produto começou a operar, o Rioprevidência investiu R$ 50 milhões. Três dias depois, foram aplicados outros R$ 50 milhões.

Em aproximadamente três meses, os aportes do fundo previdenciário estadual no Revolution chegaram a quase R$ 482 milhões.

A PF identificou movimento semelhante no Fundo Horizonte, criado em agosto de 2025. Onze dias depois de sua criação, o Rioprevidência aplicou R$ 10 milhões. Segundo a investigação, naquele momento o fundo estadual era o único cotista do produto.

Auditorias mencionadas no relatório também levantaram questionamentos sobre o processo de credenciamento do Banco Master. De acordo com os documentos, algumas aplicações teriam ocorrido antes da avaliação formal da instituição financeira pelo comitê de investimentos.

Os auditores apontaram ainda que espaços destinados às análises do Conselho Deliberativo e do Comitê de Investimentos permaneceram em branco em formulários relacionados às operações, indicando ausência de manifestação formal dessas instâncias nos documentos examinados.

Castro nega interferência

As novas informações surgem em meio às investigações sobre a relação entre Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro. A Polícia Federal analisa mensagens, encontros e a cronologia dos investimentos realizados pelo Rioprevidência no Banco Master.

Castro nega ter interferido ou atuado politicamente para direcionar recursos do fundo estadual à instituição financeira. “O ex-governador Cláudio Castro nega qualquer interferência ou atuação política para direcionar investimentos do RioPrevidência ao Banco Master”, informou sua defesa.

Segundo o posicionamento, “o RioPrevidência possui governança própria e suas decisões de investimento passam por instâncias técnicas, comitês e órgãos de administração. O governador não participava da escolha de instituições financeiras nem da definição das aplicações”.

A defesa sustenta ainda que eventuais encontros de Castro com Vorcaro tiveram “caráter institucional” e que a proximidade entre as datas dessas reuniões e os investimentos do Rioprevidência não comprova relação entre os episódios.

“Mudanças administrativas ou nomeações no órgão também não significam interferência na política de investimentos. Cláudio Castro permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”, conclui a manifestação.

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