O Rio de Janeiro ficou abaixo do desempenho esperado em disciplinas avaliadas pelo Pisa 2025, segundo levantamento elaborado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) a pedido do g1. O estudo considera não apenas as notas obtidas pelos estudantes, mas também características socioeconômicas das famílias, como escolaridade dos pais, situação profissional e recursos disponíveis em casa.
O resultado chama atenção porque o Rio tem o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) entre os estados brasileiros. Ao considerar o contexto socioeconômico dos alunos, o desempenho fluminense aparece abaixo do que seria esperado para esse perfil. A análise permite comparar os resultados educacionais levando em conta diferenças nas condições de vida dos estudantes.
“O Rio de Janeiro tem o segundo PIB do país e está neste patamar horroroso. Não avançou nos programas de escola em tempo integral, por exemplo — algo que Pernambuco, Paraíba e Ceará conseguiram fazer”, afirma Claudia Costin, especialista em Educação e ex-Diretora Global de Educação do Banco Mundial.
Matemática concentra os piores desempenhos
Matemática foi a disciplina em que mais estados brasileiros ficaram abaixo do desempenho projetado. Ao todo, 21 unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal, ficaram no chamado campo negativo. O Paraná apresentou o melhor resultado relativo, com 15 pontos acima do esperado, enquanto Roraima teve o pior desempenho, 50,2 pontos abaixo da expectativa.
O levantamento destaca ainda Ceará, Minas Gerais e Piauí entre os estados que superaram as expectativas considerando seus indicadores socioeconômicos. O Ceará, por exemplo, alcançou 363,3 pontos em matemática. Embora a nota absoluta seja baixa, o estado ficou 10,5 pontos acima do resultado esperado para seu contexto.
Ranking em matemática
Paraná: +15 pontos em relação ao esperado
Ceará, Minas Gerais e Piauí: acima do esperado
Roraima: -50,2 pontos, pior resultado relativo do país
O material destaca que Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas estão entre as cinco maiores diferenças negativas em matemática, reforçando a concentração de resultados relativos mais baixos na região Norte.
Em leitura, o Paraná novamente aparece na liderança do desempenho relativo. O estado ficou 39,8 pontos acima do resultado projetado para seu nível socioeconômico. Minas Gerais aparece na sequência, com 29,6 pontos acima, seguido por São Paulo, com 27,3 pontos.
O Rio de Janeiro também apresentou resultado abaixo do esperado nessa disciplina, segundo a análise do Iede.
Entre os destaques positivos em leitura estão Minas Gerais e Ceará. Os dois estados superaram as expectativas em 52,9 e 59 pontos, respectivamente. Roraima voltou a registrar o pior desempenho relativo, com 40,4 pontos abaixo do esperado.
Ranking relativo em leitura
Paraná: +39,8 pontos
Minas Gerais: +29,6 pontos
São Paulo: +27,3 pontos
Ceará: +59 pontos acima do esperado, entre os destaques citados pelo estudo
Roraima: -40,4 pontos
Ciências têm Paraná como principal destaque
Em ciências, o Paraná também aparece como referência no desempenho ajustado pelo contexto socioeconômico. O estado alcançou 462 pontos na disciplina e, considerando o intervalo de confiança, ultrapassou a marca de 450 pontos — feito inédito para um estado brasileiro, segundo a análise apresentada.
Desempenho relativo nas três disciplinas
O Paraná foi o único estado apontado como acima do esperado nas três áreas avaliadas pelo Pisa: matemática, leitura e ciências. Roraima aparece no extremo oposto, entre os piores desempenhos relativos nas três disciplinas.
O levantamento mostra, portanto, que a posição econômica de um estado não se traduz necessariamente em desempenho educacional proporcional. São Paulo, por exemplo, registrou notas absolutas elevadas — 403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências —, mas, quando o contexto socioeconômico é considerado, ficou apenas 2,3 pontos acima do esperado em matemática.
Como o nível socioeconômico entra no cálculo
Para chegar ao resultado esperado, os pesquisadores consideraram três dimensões principais da realidade dos estudantes: escolaridade dos pais, status ocupacional dos responsáveis e recursos e bens disponíveis em casa. Entre esses recursos estão livros, computador, espaço para estudar e acesso à internet.
A metodologia estabelece como referência o perfil médio dos países da OCDE. Assim, o resultado não representa simplesmente a nota obtida por cada estado, mas a diferença entre o desempenho observado e aquele que seria projetado considerando as condições socioeconômicas dos estudantes.
Segundo Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, um resultado acima do projetado pode indicar que políticas educacionais estão conseguindo reduzir parte do impacto das desigualdades. Já um resultado abaixo da expectativa sugere dificuldade em transformar as condições e capacidades existentes em aprendizagem.







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