Rio registra recorde histórico de furtos e roubos de celulares em 2025

Número de celulares levados chega ao maior patamar em duas décadas e expõe a vulnerabilidade dos cariocas diante da violência urbana

A cidade do Rio de Janeiro vive um cenário alarmante de furtos e roubos de celulares. De janeiro a agosto deste ano, 36.158 aparelhos foram levados das mãos dos cariocas, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). É o maior número desde o início da série histórica, em 2003, o que significa, em média, 148 ocorrências por dia — um caso a cada dez minutos.

Rotina de medo no Centro e na Zona Sul

Para quem circula pelas áreas mais movimentadas da capital, a insegurança se tornou parte da rotina. As regiões do Centro e da Lapa lideram o ranking de ocorrências, com 2.984 registros nos primeiros oito meses do ano. Na sequência vêm Catete, Flamengo e Glória (2.494), na Zona Sul, e a Barra da Tijuca, Joá e Itanhangá (1.990), na Zona Sudoeste

Entre os casos mais comuns estão os ataques de criminosos em motocicletas — que abordam pedestres para roubar o celular e exigir o desbloqueio — e as ações de falsos entregadores de aplicativo, que surpreendem as vítimas na porta de casa.

Crescimento acelerado e perfil das ocorrências

O ISP aponta que, em relação a agosto de 2024, o número de furtos cresceu 40% e o de roubos, 20%. Foram 3.915 furtos e 2.168 roubos neste ano, ante 2.797 e 1.808, respectivamente, no mesmo período do ano passado.

Os furtos — crimes sem uso de força ou ameaça — somaram 24.222 registros entre janeiro e agosto, mais que o triplo dos 7.647 casos de 2015. Já os roubos, com emprego de violência ou grave ameaça, atingiram 11.936 registros, mais que o dobro de dez anos atrás.

A Polícia Militar afirma manter “atuação permanente” no enfrentamento desse tipo de crime, com patrulhamento ostensivo, uso de tecnologia e operações conjuntas com outras forças de segurança. Segundo a corporação, o policiamento é planejado com base nos registros de ocorrência e na troca de informações entre os batalhões.

A PM também reconhece que muitos dos envolvidos vivem em situação de vulnerabilidade social e têm alto índice de reincidência, incluindo adolescentes detidos repetidas vezes pelo mesmo tipo de delito.

Operações e combate à receptação

A Polícia Civil informou que, desde maio, realiza a “Operação Rastreio”, voltada ao combate de toda a cadeia criminosa relacionada ao roubo e à receptação de celulares. A ação já resultou na recuperação de mais de 5.700 aparelhos, 390 prisões e 1.500 devoluções aos donos.

A corporação acrescenta que atua em conjunto com a PM e reforça a importância de as vítimas registrarem boletim de ocorrência, informando o número do IMEI, código que permite rastrear os aparelhos recuperados.

Especialistas apontam novos padrões de crime

Segundo o coordenador de pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança, Jonas Pacheco, disse à Folha de S. Paulo, o aumento desses crimes está ligado à popularização dos smartphones e, mais recentemente, às funções financeiras incorporadas aos aparelhos, que impele seu uso para crimes financieros digitais.

Pacheco avalia ainda que as organizações criminosas podem estar se sofisticando, criando um mercado estruturado para a receptação de celulares, à semelhança do que ocorre com veículos e cargas.

Ele também levanta a hipótese de que parte dos registros de roubo esteja sendo classificada como furto, uma vez que a meta de redução de “roubos de rua” é uma das prioridades das forças de segurança.

“O roubo de celular, por estar na categoria de roubo de rua — uma das metas estratégicas de redução de roubos da segurança fluminense —, pode estar sendo registrado como furto, o que não impediria as bonificações às polícias e poderia explicar parte da alta vertiginosa nessa modalidade de crime”, afirmou.

Procurada, a Polícia Civil reiterou que os registros de ocorrência são feitos com base nas informações apresentadas pela vítima e na análise da autoridade policial responsável.

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