* Com Manuela Carvalho

Casos de roubos e furtos são impulsionados em meio às altas temperaturas na orla do Rio, onde há maior concentração de pessoas nessa época do ano. Nem o reforço do policiamento durante a Operação Verão é capaz de travar a onda de crimes, concentrada principalmente na Zona Sul da capital fluminense.

Um levantamento feito pela Agenda do Poder com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indica que ocorrências do tipo mais que dobram nessa época do ano nas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon. Em meio a esse fenômeno, quais são os crimes mais comuns cometidos em uma região que deveria apenas fazer parte do cartão-postal do Rio?

Especialistas indicam que o aumento do fluxo de banhistas e turistas de vários lugares do mundo atrai criminosos para cometer os chamados crimes de oportunidade.

“Como há aumento de concentração em determinados locais no verão, como a orla do Rio, é óbvio que também vai ocorrer o aumento de crimes, principalmente roubo e furto. A única forma de combate é com o aumento de policiamento ostensivo”.

Delegado Marcus Amim, secretário da Polícia Civil do Rio entre 2023 e 2024

Polícia Civil recuperou celulares roubados e furtados em operação no Rio | Crédito: Divulgação

O objeto mais visado em roubos e furtos são os celulares. Mas também é possível indicar esse aumento de crimes com base nos registros de ataques a transeuntes, quando os criminosos miram pessoas que estão caminhando por um local público.

Com a soma, a reportagem criou uma estatística própria com dados do ISP no verão para comparar com o período anterior e posterior à época mais quente do ano. A média mensal foi de 1.071 crimes, incluindo os registros de dezembro de 2024 a março de 2025. Mais que o dobro em comparação com o período considerado como baixa temporada. Em novembro de 2024, por exemplo, foram 479 casos. Já em abril de 2025, após o verão, foram 490 ocorrências. Ambos os cenários indicam que o contraste com os crimes na alta temporada.

A média mensal foi de 1.071 crimes, incluindo os registros de dezembro de 2024 a março de 2025. Mais que o dobro em comparação com os 479 casos de novembro de 2024 e com os 490 registros de abril de 2025, quando o fluxo de turistas é bem inferior.

O dado mais expressivo foi o de furtos de celular na Zona Sul de fevereiro de 2025, com 740 casos, o equivalente a 22,7% do total de registros no Rio de Janeiro. A comparação desse dado isolado é ainda mais expressiva na comparação com a chamada baixa temporada. Para se ter uma ideia, foram 199 furtos de celular na Zona Sul em novembro de 2024, índice que quase quadruplicou no verão. E que voltou a cair para 192 casos em abril de 2025.

Antropólogo e ex-capitão do Bope, a tropa de elite da Polícia Militar do Rio, Paulo Storani diz ver relação entre o aumento de crimes e o fluxo nas praias. “Existem certos delitos que são sazonais. No verão, costumam ocorrer roubos e furtos com frequência na orla em razão da grande concentração de pessoas. Durante uma atividade de lazer, essas pessoas acabam relaxando e se tornam vítimas desses criminosos”.

Em meio a esse cenário, Storani dá dicas aos banhistas e turistas que frequentam a Zona Sul do Rio no verão. Segundo ele, mulheres e idosos costumam ser alvos preferenciais.

“Fiquem atentos, evitem levar uma grande quantidade de dinheiro ou cartões. Se for usar o celular, use com cuidado, com atenção ao que está acontecendo no entorno. Também é importante evitar ficar sozinho ou isolado”.

Paulo Storani

Grávida escondia 29 celulares em fundos falsos de bolsas no Réveillon de Copacabana | Crédito: Seop

A distração durante o momento de lazer serve como isca para a ação de criminosos no verão, principalmente quando há aumento expressivo de concentração de pessoas, como no Réveillon. Na madrugada do dia 1º de janeiro, uma mulher foi flagrada escondendo 29 celulares em fundos falsos de bolsas e enrolados em papel alumínio para impedir o rastreio dos aparelhos em meio à multidão em Copacabana.

Mas também há ações bem mais planejadas. Em novembro de 2025, a Polícia Civil desarticulou uma quadrilha especializada em roubos e furtos de celulares na Zona Sul. Segundo as investigações, os criminosos usavam motos para abordar as vítimas com rapidez.

Apesar dos esforços das forças de segurança para investigar crimes e reforçar o policiamento, o aumento de concentração de pessoas na Zona Sul do Rio ainda serve de isca para atrair criminosos durante o período de lazer de quem só quer curtir o verão.

Turistas revelam tática para minimizar risco de furto ou roubo na Zona Sul do Rio | Crédito: Agenda do Poder

Medo de roubo e precaução: como agem os turistas no Rio

Marina Gimenez costuma andar com a mochila na frente do corpo para evitar furtos sem que ela perceba. Isabel Miquel mantém o celular guardado em uma bolsa fechada enquanto caminha pela orla do Rio. Já Felipe Martins demonstra preocupação com o cordão no pescoço.

São histórias de turistas que passaram a adotar medidas de segurança mesmo enquanto curtem o calor na Cidade Maravilhosa.

A argentina Marina Gimenez, 45, que mora em São Paulo, também adota como tática sempre andar em grupo. “Tenho o cuidado de não ter o celular à vista. E alguém sempre fica vigiando”, diz.

A estudante Isabel Miquel, 18, também afirma adotar o mesmo tipo de cuidado. “Quando vou para o mar, sempre tem alguém olhando”.

Também estudante, Felipe Martins, 20, diz que a maior preocupação é mesmo com a reputação negativa em relação a furtos e roubos da capital fluminense. “Não sou daqui, e sempre escuto que tem muito assalto. Tenho medo de ser roubado”.

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