A morte da jovem Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, atropelada em Ipanema, Zona Sul do Rio, expôs o avanço da violência no trânsito fluminense em 2026. Filha de diplomatas brasileiros, ela havia retornado recentemente ao Brasil após concluir o curso de Administração de Empresas na ESCP Business School, na Itália.
Mariana desembarcou no Rio no último sábado com planos de reconstruir a vida no país. Segundo o pai, o diplomata Ibrahim Abdul Hak Neto, a filha vivia o “auge da felicidade” após conquistar a formação acadêmica e iniciar uma nova etapa profissional.
Ela havia alugado um apartamento em Ipanema e começaria a trabalhar em uma multinacional do setor de cosméticos. Poucas horas após chegar à cidade, Mariana saiu com a mãe para comprar itens para a nova residência quando ambas foram atingidas por uma van na Rua Visconde de Pirajá.
A jovem sofreu traumatismo craniano, passou por cirurgias no Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no domingo.
Acidente deixou mãe ferida e mobilizou investigação policial
O atropelamento aconteceu na esquina da Rua Visconde de Pirajá com a Rua Vinicius de Moraes, um dos pontos mais movimentados de Ipanema. Mariana foi prensada contra um poste após a van subir a calçada.
A mãe da jovem, Ana Patrícia Neves Abdul Hak, cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires, também ficou ferida. Ela sofreu luxações pelo corpo e precisou levar pontos no rosto. Apesar das lesões, recebeu alta hospitalar.
Um terceiro pedestre, identificado como Sérgio da Costa Luiz, também foi atendido, mas recusou internação, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde.
O caso é investigado pela 14ª DP (Leblon) como lesão corporal culposa. O motorista da van, Lucas Leandro do Espírito Santo Marques, relatou à polícia que o veículo apresentou falha mecânica.
Motorista alegou falha na direção e nos freios
De acordo com o depoimento prestado aos policiais militares, o motorista afirmou que a direção “travou” e que os freios “não funcionaram”. O registro policial aponta ainda que não havia marcas de frenagem no asfalto.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do acidente às 16h58 de sábado. O veículo, um modelo elétrico utilizado por uma empresa terceirizada que presta serviço ao Mercado Livre, trafegava dentro do limite de velocidade antes de perder o controle e subir na calçada.
Segundo a Polícia Civil, exames descartaram consumo de álcool ou drogas por parte do motorista.
A polícia agora apura se houve falha mecânica no veículo e analisa imagens e perícias para esclarecer as circunstâncias do atropelamento.
Rio tem maior índice de mortes no trânsito em 15 anos
O caso ocorre em meio ao crescimento expressivo dos índices de violência no trânsito no estado do Rio de Janeiro. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) mostram que o estado registrou 787 homicídios culposos entre janeiro e abril deste ano.
O número representa uma média de uma morte no trânsito a cada três horas e meia e é o maior para o período desde 2011, quando foram contabilizados 795 casos.
As estatísticas também revelam aumento nas lesões corporais culposas. Nos quatro primeiros meses de 2026, foram registrados 9.072 casos em todo o estado — aproximadamente uma ocorrência a cada 20 minutos.
A capital fluminense concentra 35% das vítimas registradas no período, sendo a região com maior número de ocorrências.
Corpo de Bombeiros registrou aumento nas ocorrências
Dados do Corpo de Bombeiros mostram que a corporação já foi acionada para 29.505 ocorrências de trânsito entre janeiro e maio deste ano. O total representa crescimento de 6% em comparação ao mesmo período de 2025.
Apesar da alta geral nos atendimentos, os atropelamentos apresentaram pequena redução de 1%. Foram 3.427 registros neste ano, contra 3.473 no mesmo intervalo do ano passado.
As análises do ISP apontam crescimento das mortes no trânsito tanto na capital quanto na Baixada Fluminense. Em contrapartida, houve redução nos índices da Grande Niterói e no interior do estado.
A morte de Mariana reacendeu o debate sobre segurança viária e fiscalização no trânsito do Rio de Janeiro, diante do aumento contínuo de vítimas em acidentes nas ruas e avenidas do estado.
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