O governo do Rio de Janeiro prepara um plano para retomar territórios sob o controle de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, com apoio do Exército e da Polícia Federal. Segundo informa o colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, a proposta será discutida com o governo federal e apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) até o dia 15 de outubro, em cumprimento à decisão da Corte na chamada “ADPF das Favelas”, que exige a criação de um plano de reocupação de áreas dominadas por grupos armados.
As informações foram divulgadas pelo secretário de Segurança Pública do estado, Victor dos Santos, em entrevista à coluna de política da GloboNews. Segundo ele, a atuação conjunta das forças de segurança poderá começar ainda em 2025, com foco inicial em comunidades classificadas como de “baixa criticidade”, ou seja, com menor complexidade operacional.
“Existem várias comunidades que poderão ser contempladas neste primeiro momento. Cidade de Deus, algumas regiões de São Gonçalo, Vila Kennedy, Antares e Mangueirinha”, afirmou o secretário. Já o Complexo do Alemão, por exemplo, foi citado como uma região de alta criticidade, o que exigirá uma abordagem mais estruturada.
Para permitir a participação das Forças Armadas, o governo estadual planeja solicitar à União a implementação de uma operação sob o regime de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que abriria caminho legal para o uso do Exército. A proposta inclui o uso de veículos blindados e apoio logístico para remover barricadas e enfrentar o armamento pesado em poder das facções criminosas.
A proposta será formalizada em um documento com cronograma, metas e indicadores de desempenho. O plano está sendo elaborado por um grupo de trabalho que reúne representantes de diferentes áreas do poder público. Segundo Victor dos Santos, as ações não se limitarão à segurança.
“O poder público não pode se fazer presente na comunidade só com polícia. O Estado tem que se fazer presente de forma plena. E, quando falo ‘Estado’, falo município, estado e União”, disse o secretário. O plano inclui medidas de inclusão social, estímulo à economia local e acesso a serviços públicos.
Victor dos Santos também chamou atenção para as atividades econômicas exploradas pelas organizações criminosas, que vão além do tráfico de drogas. “Existe um comércio explorado por essas organizações criminosas: internet, gás, energia elétrica. O tráfico aprendeu com a milícia no passado e, hoje, não é só a droga que se vende. A luta é pelo território, que é sinônimo de receita.”
A utilização da GLO, de acordo com o secretário, está sendo considerada como uma “opção logística”. Ele enfatizou a importância de uma operação bem estruturada e coordenada entre todos os níveis de governo. “As forças [de segurança] têm de estar integradas e coordenadas para a retomada do território para a população de bem que mora ali.”
Questionado sobre as possíveis interferências político-eleitorais no andamento do plano — já que o governador Cláudio Castro (PL), o presidente Lula (PT) e o prefeito Eduardo Paes (PSD) são de partidos distintos —, Victor dos Santos defendeu uma gestão compartilhada.
“A governança é compartilhada. Independentemente de partidos políticos, os três eixos vão estar envolvidos na governança”, afirmou.
Por fim, o secretário destacou o avanço da articulação entre a Polícia Federal e as forças de segurança do estado no combate ao tráfico e à milícia, reforçando que o enfrentamento ao crime organizado exigirá ação conjunta e planejamento duradouro.





