Rio normaliza vias após 12 horas de bloqueios causados por retaliação do Comando Vermelho

A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá foi a última a ser liberada após a operação mais letal da história do estado, que provocou reações violentas e paralisou o transporte público

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou, às 3h30 desta quarta-feira (29), que todas as vias da cidade foram liberadas após as retaliações do Comando Vermelho (CV) à megaoperação policial que, na terça-feira (28), deixou mais de 100 mortos — o maior número já registrado em uma ação desse tipo no estado.

A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá chegou a ficar 12 horas fechadas e foi a mais impactada. Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR), foi também a última a ser liberada, “no sentido Jacarepaguá, o que ocorreu às 2h45”.

Cidade em alerta e monitoramento contínuo

A capital fluminense permaneceu durante toda a terça-feira em Estágio 2 de atenção — em uma escala que vai até 5. Às 6h desta quarta-feira (29), o município retornou ao Estágio 1, de normalidade.

De acordo com o COR, o segundo nível de alerta indica “risco de ocorrências de alto impacto com elevado potencial de agravamento”. O órgão orientou os moradores a redobrarem a cautela: “Evite circular nas regiões impactadas pelas ocorrências policiais, permaneça em local seguro e mantenha-se informado”.

Ônibus sequestrados e caos na mobilidade urbana

Durante mais de 12 horas, criminosos orquestraram bloqueios em diversas regiões da cidade como forma de represália à operação. Ônibus e caminhões foram usados como barricadas para impedir o tráfego e dificultar a ação policial.

Segundo dados do Rio Ônibus, 71 coletivos foram tomados e 204 linhas acabaram impactadas. A violência paralisou os principais corredores de transporte, incluindo a Avenida Brasil, as linhas Amarela e Vermelha e as rodovias BR-101 (em São Gonçalo) e BR-040 (na altura de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias).

População isolada e longas caminhadas

No meio da tarde, diante da insegurança generalizada, as viações determinaram que todos os veículos retornassem às garagens. A medida, embora necessária, deixou milhares de cariocas sem transporte público.

Relatos nas redes sociais mostraram pessoas caminhando longas distâncias — algumas mais de 5 quilômetros — para conseguir voltar para casa. As imagens de ônibus queimados e motoristas abandonando os veículos se tornaram símbolo de um dia em que o Rio ficou refém do medo.

Tentativa de retomada da normalidade

Com a liberação total das vias nas primeiras horas da madrugada, a Prefeitura tenta restabelecer a rotina. Equipes de limpeza urbana e manutenção foram acionadas para remover destroços e liberar o tráfego nas regiões mais afetadas.

Apesar da normalização, o clima de tensão permanece. O governo estadual mantém forças de segurança mobilizadas nas zonas Norte e Metropolitana, enquanto as investigações sobre as retaliações continuam.

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