Rio Gastronomia revela história da cachaça ‘abençoada’ pelo Papa, nascida no interior e que conquistou o Copacabana Palace

Presente no evento desde a edição de 2013, a produtora cachaça Sete Engenhos, de Quissamã, une séculos de história familiar a uma estratégia de negócio que a tornou ícone no mercado da hospitalidade carioca. Festival gastronômico segue até o próximo domingo (31) no Jockey Club, na Gávea

Atualmente na 15ª edição, o Rio Gastronomia funciona como um palco para grandes chefs, mas também um baú de histórias. Em meio à efervescência de pratos e sabores no Jockey Club, a narrativa de um produtor artesanal em particular chama a atenção. É ali que Haroldo Carneiro da Silva, à frente do Engenho São Miguel, produtor da famosa Cachaça Sete Engenhos, conta aos visitantes como um de seus rótulos, a Cachaça Redentor, criada para os 90 anos do Cristo, em 2021, foi presenteada ao Papa Francisco, à frente da Igreja Católica à época, no Vaticano. “Segundo o Padre Omar, que levou a garrafa, o Papa teria dito que essa é a ‘verdadeira água benta’”, revela orgulhoso. 

A anedota é o tempero especial de um negócio com raízes na história do Rio de Janeiro. Haroldo, que é veterano do festival, parceiro desde 2013, vê o evento como uma vitrine estratégica. “A gente tem um prazer muito grande de estar aqui, porque todo o ambiente de alimentos e bebidas do Rio está presente”, explica. É nesse ambiente que o produtor se conecta com outros profissionais do ramo, vende sua cachaça diretamente ao consumidor final — brindando com o cliente — e aproveita para contar a quem quiser ouvir a saga da cachaça que chegou ao Vaticano.  

Haroldo Carneiro apresentando a Cachaça Redentor — Foto: Agenda do Poder

Da tradição familiar à estratégia de mercado

Fundada em Quissamã há mais de 100 anos, a trajetória da cachaçaria está enraizada na própria história do Rio de Janeiro. Um dos antepassados de Haroldo, Luiz de Barcelos Machado, chegou a participar da “Revolta da Cachaça”, em 1661, contra a Coroa Portuguesa, como conta a quem passa pelo estande. A criação da cachaçaria, porém, aconteceu anos — muito — mais tarde, em 1858, na cidade do Norte Fluminense. Tudo ia bem, até o início dos anos 2000, quando a produção foi interrompida com a crise da cana.

Haroldo conta que entrou em cena em 2010, quando reabriu o engenho, aliando o legado familiar a técnicas modernas, o que rendeu prêmios internacionais à marca, como a Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas. A estratégia comercial focada na capital, segundo o produtor, foi o que determinou a expansão do negócio. “A gente tem uma presença muito forte, principalmente na coquetelaria carioca. Temos mais de 200 bares e restaurantes que fazem drinks e caipirinhas com a Sete Engenhos”, detalha.

A capilaridade inclui parcerias com ícones da hotelaria. “Temos alguns ícones da hospitalidade carioca, como o Copacabana Palace, que é um parceiro nosso, e a gente faz o rótulo próprio pra eles, que é a Cachaça do Copa”, exemplifica. Para manter essa operação com a produção baseada em Quissamã, a estrutura é profissional. “O principal mercado nosso é a capital do estado. Então, a gente continua sempre aqui, nós temos depósito, distribuição e tudo. Nosso embaixador fica full time circulando entre nossos clientes”, explica.

É no Rio Gastronomia que essa estratégia de elite encontra o grande público, permitindo que a marca se apresente diretamente ao consumidor final. A criação da Cachaça Redentor, em parceria com a Arquidiocese do Rio, solidificou essa visibilidade, com o produto gerando royalties para o Santuário. A presença no festival, portanto, cumpre um duplo papel. Para o público, é a chance de provar uma cachaça com história singular. Para o negócio, é a validação de que transformar séculos de tradição em um ativo valioso é, talvez, um dos ingredientes para o sucesso.

Rio Gastronomia segue até domingo

Iniciado no último dia 15, contando com três finais de semana e 12 dias de festival, o Rio Gastronomia vai até o próximo domingo (31), no Jockey Club, na Gávea. O evento reúne mais de 35 restaurantes, entre estreantes e nomes já consagrados da cena carioca — incluindo nomes como a Estrela Michelin, um dos maiores reconhecimentos do ramo — além de bares e produtores locais. Na programação, o público encontra desde pratos de chefs famosos até novidades da confeitaria e bebidas artesanais.

Além da gastronomia, o festival conta com shows de artistas como Xande de Pilares, Paulo Ricardo e a bateria da Grande Rio, além de espaços interativos, roda-gigante, tirolesa e atividades para crianças. O evento também oferece oficinas gastronômicas, aproximando o público de técnicas e tendências do setor.

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